Em 2026, a crise climática deixará de ser considerada uma mera externalidade ambiental e passará a ser reconhecida como um risco económico mensurável. Este novo entendimento terá um impacto direto no valor dos ativos, na estabilidade financeira e nas decisões de investimento. A análise económica e financeira, que durante décadas assumiu que a natureza era um recurso estável e ilimitado, precisa agora de se adaptar a esta nova realidade.
A natureza, que antes era vista como um pano de fundo, entra agora no centro da lógica económica. Ela é uma infraestrutura produtiva crítica, essencial para as cadeias de valor, níveis de produtividade e retornos financeiros. A mudança é impulsionada por um enquadramento regulatório e financeiro que exige uma nova abordagem. A Diretiva Europeia de Reporte de Sustentabilidade está a forçar milhares de empresas a identificar, medir e reportar as suas dependências e riscos associados ao capital natural, utilizando o mesmo rigor que aplicam à informação financeira.
Além disso, iniciativas como a Taskforce on Nature-related Financial Disclosures estão a ser adotadas por investidores, bancos e seguradoras, permitindo a integração de riscos relacionados com a natureza na avaliação de crédito e na estabilidade financeira. Neste contexto, os mercados de carbono estão a evoluir, deixando de ser vistos apenas como instrumentos simbólicos e a tornar-se mecanismos de sinalização de preço, cada vez mais avaliados quanto à sua credibilidade e eficácia na mitigação do risco económico.
Os serviços dos ecossistemas estão a ganhar um novo protagonismo. Florestas que ajudam a reduzir o risco de incêndios, zonas húmidas que atenuam cheias, dunas que protegem infraestruturas costeiras e solos que sustentam cadeias alimentares são agora considerados ativos que influenciam diretamente o risco, o retorno e a resiliência económica.
Esta reavaliação já é visível nos mercados. Nos últimos anos, as seguradoras europeias têm revisto os seus prémios e coberturas devido à crescente frequência e severidade de eventos climáticos extremos. Algumas seguradoras até abandonaram regiões que consideram economicamente não seguráveis. Ao mesmo tempo, fenómenos como ondas de calor, tempestades e secas prolongadas têm causado interrupções nas cadeias de produção, pressão sobre os sistemas energéticos e restrições hídricas que afetam a indústria e a agricultura, resultando em custos mais elevados e impacto nas decisões de investimento.
É neste cenário que as Nature-Based Solutions ganham uma relevância estratégica. Estas soluções não são vistas como um custo ambiental, mas sim como um investimento económico que preserva a capacidade produtiva, reduz o risco sistémico e sustenta o crescimento a longo prazo.
No entanto, o caminho para esta transição não será fácil. Tensões geopolíticas e ciclos eleitorais podem desviar a atenção e atrasar as regulações e investimentos necessários. Apesar disso, a tendência estrutural é clara: já não é viável discutir investimento, competitividade ou estabilidade financeira sem considerar os ecossistemas. A natureza deixou de ser um simples pano de fundo e tornou-se uma parte integrante da lógica de mercado.
Leia também: O impacto das mudanças climáticas na economia global.
risco económico risco económico risco económico Nota: análise relacionada com risco económico.
Leia também: Portugueses felizes em 2025, mas preocupações com habitação aumentam
Fonte: Sapo





