Avaliação de Seguradoras: Desafios e Incertezas no Setor

A avaliação de seguradoras é um tema crucial e, ao mesmo tempo, complexo no setor segurador. À medida que o mundo se torna mais volátil e sujeito a disrupções, surge a questão sobre a eficácia dos métodos tradicionais de avaliação. Será que as abordagens atuais ainda refletem a realidade do setor?

Atualmente, os modelos mais utilizados incluem o market-consistent embedded value (MCEV) para o ramo Vida e o modelo de dividendos descontados para o ramo Não Vida. No entanto, a capacidade destes modelos em capturar a dinâmica do mercado é cada vez mais questionada. No ramo Vida, o MCEV foi concebido para medir o valor económico intrínseco das carteiras, mas a sua eficácia é posta à prova num contexto de volatilidade estrutural. Como podemos estimar a persistência ou os resgates futuros quando as interações digitais e a sensibilidade ao preço mudam rapidamente? Um pequeno ajuste nos pressupostos pode alterar drasticamente o valor final.

Por outro lado, no ramo Não Vida, o modelo de dividendos descontados parece simplificar a avaliação, uma vez que o valor da empresa está ligado à sua capacidade de gerar capital distribuível. Contudo, a sinistralidade tem-se tornado cada vez mais volátil, e fenómenos extremos, como desastres naturais, aumentam a incerteza. É sensato projetar dividendos como se o futuro fosse uma simples extensão do passado, quando o setor enfrenta riscos emergentes e imprevisíveis?

Outro fator que muitas vezes é negligenciado nas avaliações é o custo de capital associado aos requisitos de solvência. Se estes requisitos aumentam devido a choques no mercado ou novas exigências regulatórias, o custo de capital eleva-se, o que pode resultar numa diminuição do valor das seguradoras. Assim, a questão que se coloca é: até que ponto estamos a captar o valor real das empresas de seguros?

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A reflexão mais importante é se estamos a avaliar as seguradoras com base em números que realmente refletem o seu potencial de criação de valor. Continuamos a tratar o futuro como uma projeção linear, quando, na verdade, ele depende da capacidade de adaptação e da gestão de incertezas.

Se a essência do setor é proteger contra a incerteza, como podemos avaliá-lo com modelos que não conseguem captá-la? A resposta pode não estar em descartar as metodologias existentes, mas sim em transformá-las e adaptá-las à nova realidade do mercado.

Leia também: A importância da inovação na avaliação de riscos no setor segurador.

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Fonte: ECO

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