A presidente da Associação Portuguesa de Imprensa (APImprensa), Cláudia Maia, manifestou preocupações sobre a situação da distribuição de jornais em Portugal, alertando para a necessidade de aumentar a concorrência neste sector. A Vasp, a única empresa responsável pela distribuição de jornais no país, anunciou que está a avaliar a possibilidade de ajustar as rotas de distribuição em várias regiões, incluindo Beja, Évora e Bragança.
Cláudia Maia, em declarações à Lusa, sublinhou que, se a Vasp avançar com estas alterações, a situação poderá ter um impacto significativo nos jornais diários. “Se um jornal não chega todos os dias, o leitor perde o interesse na subscrição e fica sem informação atualizada”, afirmou. A presidente da APImprensa defende que a Vasp deve garantir rotas que não resultem em prejuízos, uma vez que a empresa tem uma responsabilidade acrescida como única distribuidora nacional.
No Dia Nacional da Imprensa, celebrado a 18 de dezembro, a Vasp destacou a sua posição no mercado, não como uma monopolista, mas como a única sobrevivente do sector. Cláudia Maia reconhece a pressão que a Vasp está a fazer junto do Governo para encontrar soluções, especialmente nas zonas de baixa densidade populacional, onde a distribuição de jornais e revistas é uma questão crítica. “Mais de um ano depois da apresentação do Plano de Ação para a Comunicação Social, nada foi feito”, lamentou.
A presidente da APImprensa recordou que o Governo tinha prometido lançar um concurso público internacional para garantir a distribuição de jornais, mas até agora não há novidades sobre este processo. Além disso, Cláudia Maia criticou a qualidade da distribuição porta-a-porta realizada pelos CTT, que, segundo ela, não têm cumprido os critérios exigidos desde 2016. “Um jornal diário deve ser entregue no dia seguinte, e isso não está a acontecer”, disse.
Os atrasos na entrega dos jornais têm repercussões diretas na publicidade, uma vez que os anunciantes não se interessam por anúncios que chegam aos leitores com dias de atraso. “Quando o anúncio não chega a tempo, perde o seu efeito e os anunciantes deixam de investir”, explicou.
Apesar das dificuldades, alguns jornais têm encontrado soluções alternativas, como a distribuição própria. No entanto, Cláudia Maia ressalta que esta abordagem não é viável nas zonas de baixa densidade populacional. “O Jornal do Fundão, por exemplo, distribui para todo o país, mas isso não é uma solução prática para todos”, afirmou.
Diante deste cenário, a APImprensa apela ao Governo para que cumpra as suas promessas e lance o concurso público que permitirá a concorrência na distribuição de jornais. Cláudia Maia enfatiza que a falta de distribuição de jornais compromete o direito à informação, especialmente nas áreas mais isoladas, e coloca em risco a coesão territorial e a democracia. “Sem informação, as populações ficam ainda mais isoladas”, concluiu.
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Fonte: ECO





