O setor da auditoria enfrenta novos desafios à medida que o mundo evolui. Com a crescente complexidade das operações e a introdução de novas tecnologias, a supervisão das auditoras na União Europeia está prestes a ser revista. Espera-se que, no próximo ano, a Comissão Europeia inicie uma consulta pública para discutir a harmonização das regras que regem a supervisão das auditoras. Esta iniciativa é vista como um passo positivo tanto por auditoras como por reguladores.
Maria Luís Albuquerque, comissária europeia para os Serviços Financeiros, sublinhou a importância de uma supervisão forte e consistente, afirmando que “os reguladores das auditoras na União Europeia não operam com os mesmos poderes ou recursos”. Esta disparidade, segundo Albuquerque, compromete a confiança nos mercados de capitais. Durante a conferência da International Ethics Standards Board for Accountants (IESBA), realizada em Lisboa, a comissária destacou a necessidade de evolução no sistema de supervisão.
A presidente do IESBA, Gabriela Figueiredo Dias, também defendeu a centralização da supervisão, alertando que a fragmentação regulatória pode ser prejudicial para o setor. “Os reguladores precisam de se munir dos meios necessários para fazer uma supervisão eficaz”, afirmou. A harmonização das regras é vista como uma solução para os desafios atuais, especialmente com o aumento da dimensão das redes de auditoria.
João Gomes Ferreira, da Deloitte, comentou que a evolução do mercado de auditoria em Portugal tem sido positiva, graças à transposição de diretivas que melhoraram a qualidade e a transparência das práticas de auditoria. Ele considera essencial que a Comissão Europeia promova um diálogo com todos os intervenientes, garantindo que o modelo europeu evolua de forma coerente.
Gonçalo Raposo da Cruz, CEO da BDO Portugal, também expressou apoio à harmonização das regras, afirmando que isso beneficiaria todos os países europeus. A proposta de reforço dos poderes do Committee of European Auditing Oversight Bodies (CEAOB) surge como uma solução viável. Este organismo, que reúne os supervisores nacionais, busca tornar-se o supervisor único das auditoras na Europa, o que permitiria um “level playing field” entre as empresas de auditoria.
Luís Laginha de Sousa, presidente da CMVM, reiterou a necessidade de um corpo único de normas na União Europeia, com adaptações nacionais apenas quando estritamente necessárias. O CEAOB acredita que, até ao final de 2026, poderá haver uma proposta preliminar da Comissão Europeia sobre a reforma da supervisão das auditoras, embora qualquer prazo seja apenas uma estimativa.
O próximo ano será crucial para a discussão sobre a supervisão das auditoras, mas uma decisão final sobre possíveis mudanças não deverá ser tomada antes do final de 2026. Leia também: “Os desafios da auditoria em tempos de mudança”.
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Fonte: ECO





