Carlos Mineiro Alves, administrador executivo da Fundação da Construção e ex-bastonário da Ordem dos Engenheiros, sublinhou a necessidade de uma execução rápida para o novo aeroporto de Lisboa e a ferrovia. Em declarações recentes, Mineiro Alves afirmou que “não podemos ter um país adiado” e que já se perdeu tempo precioso em projetos fundamentais como estes.
O responsável criticou a situação do atual aeroporto de Lisboa, considerando-a “terceiro-mundista”. A capacidade da Portela, segundo ele, está “amplamente excedida” e não há possibilidade de ampliação. “É uma coisa inenarrável”, sintetizou, alertando que os interesses do país não devem ser confundidos com os interesses de concessionárias.
Mineiro Alves, que resignou à presidência do Conselho Superior de Obras Públicas em setembro de 2024, já tinha expressado preocupações sobre a pressão que o Governo enfrenta de empresas estrangeiras, como a ANA, que opera o aeroporto. Ele destacou que a pressão pode limitar a atuação do primeiro-ministro e prejudicar os interesses nacionais.
O financiamento do novo aeroporto de Lisboa, estimado em 8,5 mil milhões de euros, será garantido pelas taxas aeroportuárias. Mineiro Alves acredita que “há todas as condições para as obras arrancarem”, mas lamenta que as discussões tenham se perdido em minúcias. “Quem entra naquele aeroporto vê o estado em que está e que não pode durar 13 anos”, afirmou.
O ex-bastonário também alertou contra “soluções intermédias” que apenas atrasariam o inevitável. “Como cidadão, tenho o direito de pensar e julgar aquilo que para mim é óbvio. Temos que trabalhar rapidamente e avançar com as coisas”, disse, sugerindo que o Governo deve “pressionar a ANA” para que as obras avancem.
Além disso, Mineiro Alves fez um apelo para a conclusão da ligação ferroviária à Europa através de Espanha, uma vez que o atraso é significativo. Se fosse ministro das Infraestruturas, ele não mudaria o que está planeado, mas enfatizaria a necessidade de um planeamento rigoroso para garantir que as obras sejam realizadas de forma eficiente e com os recursos adequados.
Por outro lado, a Fundação da Construção propôs ao Governo a construção de habitação acessível por empresas privadas, que também assumiriam a responsabilidade pela conservação e manutenção dos imóveis. Este modelo, semelhante a uma Parceria Público-Privada, visa resolver a crise da habitação em Portugal.
Mineiro Alves defende que a entrada de promotores e construtores privados pode ser uma solução viável, desde que sejam garantidos os terrenos e o retorno dos investimentos. Ele sugere que as rendas sejam pré-fixadas de acordo com as tipologias das habitações, permitindo que, após um período, as casas possam ser revertidas para o Estado.
Se a industrialização da construção for adotada, Mineiro Alves acredita que é possível oferecer soluções habitacionais flexíveis, adaptáveis ao crescimento das famílias. “É uma resposta fácil e rápida”, concluiu, referindo exemplos de sucesso na construção de residências para estudantes em Portugal e em Espanha.
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Fonte: ECO





