O patriarca de Lisboa, Rui Valério, expressou a sua preocupação com a crescente corrida ao armamento que se observa a nível global. Durante a homilia da missa de Natal, na Sé Patriarcal, o patriarca destacou que o verdadeiro caminho para a paz passa pela aceitação e pelo reconhecimento do outro, em vez de se alimentar o medo e a divisão.
Valério referiu-se à “corrida ao armamento” como um sinal de uma profunda perda de respeito pela vida humana. “Vemos nações que se devoram, uma corrida ao armamento que denuncia a perda de estima pela vida e o medo, esse veneno subtil, a infiltrar-se no quotidiano”, afirmou. O patriarca também mencionou o medo que surge nas interações diárias, como o “medo do mendigo que faz subir o vidro do carro”, e o receio que diferentes religiões provocam entre si.
Para Rui Valério, a paz só é alcançável quando as partes estão dispostas a reconhecer o direito do outro de existir. “A paz só é possível quando estamos dispostos a baixar-nos para assumirmos a realidade do outro”, disse. Ele sublinhou que a recusa em aceitar o outro é uma das principais causas da violência que se verifica no mundo, fazendo um apelo à paz, especialmente em relação aos conflitos na Ucrânia e no Médio Oriente.
À margem da missa, o patriarca comentou a situação da guerra na Ucrânia, referindo que existe uma “saturação dos próprios países” envolvidos no conflito. Valério reiterou que o caminho para a paz exige que cada parte aceite o outro e se desarme, apresentando-se com a genuinidade das suas intenções. “Aquela paz armada, de que falavam já os romanos, isso era para outras épocas, esse discurso está obsoleto”, acrescentou.
Durante a sua homilia, o patriarca também criticou a “falsa neutralidade” e o “laicismo empobrecido” que se observa atualmente, especialmente quando se proíbe a presença de símbolos natalícios em espaços públicos. “Quer-se apagar o sinal da ternura para não ofender, mas o que se consegue é desertificar a esperança”, concluiu.
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Fonte: ECO





