A dependência da Rússia em relação à China em tempos de guerra

Após mais de três anos de conflito na Ucrânia, a geografia estratégica na Eurásia sofreu alterações profundas. Em 2025, com a administração Trump a optar por um desinvestimento na Europa, a responsabilidade pela Ucrânia recai quase exclusivamente sobre os parceiros europeus. Neste contexto, a Rússia enfrenta uma nova realidade: a sua sobrevivência depende do suporte logístico e financeiro da China. Esta situação revela uma dependência da Rússia que não pode ser ignorada.

Os dados são claros. Moscovo, que se apresenta como uma potência independente, está a abdicar da sua autonomia estratégica, transformando-se num estado-cliente de Pequim. A dependência da Rússia é evidente, especialmente no que diz respeito à tecnologia e à economia. Aproximadamente 90% da microeletrónica que a Rússia importa provém da China, conforme estudos do American Enterprise Institute. No primeiro semestre de 2023, 88% dos semicondutores adquiridos pela Rússia tiveram origem chinesa, um aumento significativo em relação aos 75% no início da invasão.

Sem o apoio financeiro em yuan, que representa cerca de um terço do comércio externo russo, e sem a venda de hidrocarbonetos para a China, a Rússia enfrentaria um colapso da sua base industrial de defesa. Esta dependência torna-se ainda mais crítica no campo de batalha, onde a China fornece não apenas bens de consumo, mas também componentes essenciais para sistemas de armas.

Os estudos sobre o comércio sino-russo revelam que, entre 2021 e 2024, os preços dos bens exportados da China para a Rússia aumentaram 87%, enquanto os preços para outros mercados permaneceram estáveis. Esta situação coloca a Rússia numa posição vulnerável, obrigando-a a pagar um prémio de risco para manter a sua operacionalidade. A dependência da Rússia em relação à China não é apenas uma questão de suporte, mas uma relação de exploração que a limita.

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Enquanto a Ucrânia busca uma integração plena com a Europa, a relação entre Pequim e Moscovo é puramente extrativa. A China não vê a Rússia como um parceiro igual, mas sim como um ativo estratégico que pode fornecer energia barata e servir como um campo de testes para tecnologias militares. Este cenário levanta questões sobre a soberania russa e o futuro da sua posição na arena internacional.

Adicionalmente, a agressividade das sanções impostas pela administração Trump pode ter um efeito inesperado. Ao tornar a dependência da Rússia em relação à China insustentável, Washington pode estar a tentar encurralar Moscovo, oferecendo-lhe uma saída através de uma nova relação com os EUA. A questão que se coloca é se Putin ainda possui a capacidade de mudar o rumo da sua política ou se a guerra, que começou com uma ambição imperial, terminará com a capitulação da soberania russa perante a hegemonia chinesa.

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dependência da Rússia Nota: análise relacionada com dependência da Rússia.

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Fonte: Sapo

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