Maturidade digital da Administração Pública depende das pessoas

A maturidade digital da Administração Pública não é apenas uma questão de tecnologia, mas sim de pessoas. São elas que tornam a tecnologia útil, segura e eficiente. A transformação digital do Estado não se compra, constrói-se através de formação rigorosa, métodos claros e responsabilidade pelos resultados. A ascensão da inteligência artificial (IA) serve como um teste de esforço, revelando competências onde existem e expor a burocracia quando falta capacidade.

O momento é oportuno, especialmente com o Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) a impulsionar a digitalização até 2026. No eixo “Administração Pública mais eficiente”, destacam-se a interoperabilidade, a cibersegurança, a simplificação e a capacitação. No eixo “Empresas 4.0”, a qualificação digital dos trabalhadores é promovida através de iniciativas como o Emprego + Digital 2025. Os resultados são visíveis: após o sétimo pedido de pagamento, a execução atinge os 47%, com 11,4 mil milhões de euros já pagos, representando 57% do total. O desafio agora é garantir que esses números se traduzam em benefícios concretos para os cidadãos.

Do lado da procura, há um espaço significativo para avançar. O relatório “Portugal 2025 Digital Decade Country Report” revela que 71% dos portugueses acreditam que a digitalização dos serviços públicos e privados facilita a sua vida. À medida que a adoção cresce, os serviços públicos devem acompanhar essa evolução; caso contrário, corre-se o risco de criar um fosso entre as expectativas e a realidade.

A maturidade digital da Administração Pública começa nas equipas que desenham, operam e melhoram os serviços. As prioridades são claras: literacia e governação de dados, cloud e integração, segurança por omissão, design centrado no utilizador, análise e gestão da mudança. A liderança deve garantir tempo para aprender, experimentar e corrigir rotas. Sem este compromisso, a IA pode encarecer processos; com ele, pode gerar ganhos reais.

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A formação em IA para profissionais não técnicos é já uma necessidade premente. Deve ser breve, prática e abranger fundamentos, limites, dados, privacidade e ética, engenharia de prompts e validação, gestão da mudança e segurança. O impacto deve ser avaliado através de indicadores operacionais, como tempo de resposta e satisfação do utilizador, e com auditorias simples focadas em risco e transparência. As entidades formadoras acrescentam valor quando ligam teoria e prática, através de conteúdos dinâmicos, mentoria e projetos aplicados.

O que falta é consistência na execução. É fundamental mapear competências por carreira e estruturar programas de desenvolvimento com certificação. Ligar métricas de serviço à aprendizagem contínua, publicá-las regularmente e identificar responsáveis por cada indicador é crucial. A criação de comunidades de prática que partilhem padrões e evitem reinvenções é igualmente importante. Devem existir sandboxes de IA responsável para testes seguros. A governação de dados precisa ser transversal, com responsabilidades bem definidas. Sempre que se recorre a entidades externas para formação, é essencial aplicar critérios transparentes de contratação e garantir auditorias independentes.

Este trabalho pode não ser glamoroso, mas é fundamental. A construção de capacidade institucional é o caminho para que a IA deixe de ser um mero ornamento e se torne uma política pública com resultados tangíveis. Em resumo, o Estado amadurece à medida que as pessoas se tornam mais digitalmente competentes. A formação é uma infraestrutura essencial. A inteligência artificial pode multiplicar valor, mas apenas se houver uma base sólida. Para termos uma Administração Pública que responda rapidamente, proteja melhor e crie valor para a economia, a prioridade é clara: investir nas pessoas que tornam tudo isto possível, todos os dias.

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Fonte: Sapo

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