Multidisciplinaridade transforma o mercado da advocacia em Portugal

O mercado da advocacia em Portugal está a passar por uma transformação significativa, com a multidisciplinaridade a ganhar destaque. Em setembro, o ECO revelou que o escritório de advogados Telles irá integrar a consultora Deloitte a partir de 1 de janeiro de 2026. Esta mudança é um sinal claro de que a multidisciplinaridade, antes temida por muitos, está a ser cada vez mais adotada no setor.

Além da Deloitte, a KPMG também está a fazer movimentações no mercado, contactando sócios de grandes escritórios, como Morais Leitão, PLMJ e Vieira de Almeida (VdA). A estratégia da KPMG é diferente das suas concorrentes, pois procura contratar sócios de renome sem realizar uma integração total com um escritório de advogados. Por exemplo, a Ernst & Young (EY) lançou a EY Law em novembro de 2024, enquanto a PwC Legal foi criada em junho do mesmo ano, após a integração da CCR Legal.

No contexto dos escritórios de advogados, a Morais Leitão anunciou em dezembro passado a adoção do regime de multidisciplinaridade, permitindo a inclusão de sócios não advogados na sua estrutura. Poucas semanas depois, a PLMJ seguiu o mesmo caminho. Esta tendência levanta a questão: será este o futuro da advocacia em Portugal?

O ECO contactou vários escritórios para entender as suas estratégias. Samuel Fernandes de Almeida, managing partner da MFA Legal, afirmou que a sua firma não planeia integrar auditoras, mas está a considerar a inclusão de sócios não advogados. “A MFA pretende continuar como um projeto de advocacia independente”, disse.

Por outro lado, Fernando Antas da Cunha, managing partner da Antas da Cunha Ecija, vê a multidisciplinaridade como uma possibilidade, mas a decisão de integrar sócios não advogados dependerá do plano estratégico a ser desenvolvido nos próximos anos. “Estamos atentos às mudanças no setor, que certamente irão ocorrer”, afirmou.

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Escritórios como VdA, Miranda & Associados e Uría Menéndez ainda estão a avaliar a situação. Uma fonte oficial da Miranda indicou que o tema está a ser debatido entre os sócios, mas não há decisões concretas até ao momento. “Acompanhamos a evolução do mercado e avaliamos todas as opções que possam acrescentar valor aos nossos clientes”, acrescentou.

A multidisciplinaridade, conforme estabelecido pela Lei n.º 2/2013, permite a formação de sociedades que reúnem várias profissões sob uma única estrutura. Com a nova redação do Estatuto da Ordem dos Advogados, em vigor desde abril de 2024, as sociedades começaram a adotar este modelo, que permite a coexistência de advogados com consultores, auditores, notários e solicitadores.

Uma dúvida que persistia era como as firmas iriam articular os seus serviços com os das consultoras. A resposta parece simples: tudo depende das necessidades do cliente, que pode optar por serviços jurídicos ou por uma abordagem mais abrangente.

Leia também: O impacto da multidisciplinaridade na prática jurídica.

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Fonte: ECO

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