As eleições presidenciais de 1986 e 1991 marcam momentos cruciais na história política de Portugal, com Mário Soares a assumir um papel central. Em 1986, a campanha foi a mais longa até então, culminando numa segunda volta entre Soares e Freitas do Amaral. Inicialmente, cinco candidatos estavam na corrida, mas apenas quatro foram a votos a 26 de janeiro. A desistência de Ângelo Veloso, do PCP, a favor de Salgado Zenha, alterou o panorama eleitoral.
Na primeira volta, Freitas do Amaral destacou-se com 46,3% dos votos, enquanto Mário Soares, apoiado pelo PS, ficou em segundo lugar com 25,4%. A campanha de Soares foi marcada por um incidente em que foi agredido, o que acabou por ser um ponto de viragem na sua candidatura. O apoio da esquerda, que se uniu para a segunda volta, foi decisivo. A 16 de fevereiro de 1986, Soares venceu com 51,1% dos votos, tornando-se o Presidente de todos os portugueses.
Em 1991, Mário Soares foi reeleito com mais de 70% dos votos, enfrentando Basílio Horta, que obteve 14,1%. O PCP, por sua vez, apresentou Carlos Carvalhas, que alcançou 12,9% dos votos. Soares, ao anunciar a sua recandidatura, reafirmou a sua identidade socialista e a sua independência em relação ao apoio do PSD, liderado por Cavaco Silva.
O debate entre Soares e Horta foi um dos momentos altos da campanha, onde Horta o confrontou sobre questões relacionadas com Macau. Soares defendeu a sua integridade, afirmando que sempre fez política por convicção e não por interesses pessoais. No final, Soares obteve quase 3,5 milhões de votos, superando o recorde anterior de Ramalho Eanes.
A trajetória de Mário Soares, marcada por desafios e vitórias, é um reflexo da evolução política de Portugal nas décadas de 1980 e 1990. A sua capacidade de unir a esquerda e de se afirmar como uma figura de consenso é um legado que perdura até hoje. Leia também: A importância da política de Mário Soares na democracia portuguesa.
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Fonte: Sapo





