O candidato à Presidência da República, Gouveia e Melo, manifestou-se este domingo sobre a incompatibilidade entre os cargos de conselheiro de Estado e a candidatura a eleições. Durante uma visita à Feira Agrícola da Vinha Brava, na ilha Terceira, Gouveia e Melo afirmou que, se fosse conselheiro, teria solicitado a sua substituição ao Presidente da República assim que se tivesse candidatado.
“Os assuntos de Estado não podem estar à espera das campanhas eleitorais. A questão que se coloca é por que razão um dos nossos candidatos, que é conselheiro de Estado, não pediu para ser substituído quando se candidatou”, questionou Gouveia e Melo, referindo-se especificamente a Luís Marques Mendes. O líder do Chega, André Ventura, que também é candidato, ocupa igualmente o cargo de conselheiro de Estado.
O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, convocou uma reunião do Conselho de Estado para o dia 9 de janeiro, apenas dez dias antes das eleições presidenciais. Gouveia e Melo, que não se opôs à data, considerou, no entanto, que é inaceitável que um candidato mantenha acesso a informações privilegiadas enquanto desempenha funções de Estado.
“Se fosse eu, teria pedido ao senhor Presidente da República para sair do Conselho de Estado logo que me tivesse candidatado. Isso não aconteceu, e na minha opinião, isso é errado”, sublinhou.
Durante a sua visita aos Açores, Gouveia e Melo chegou com uma hora de atraso devido a problemas com o voo. Apesar disso, interagiu com comerciantes e cidadãos, recebendo apoio de um ex-combatente que lhe garantiu três votos. O candidato ouviu relatos sobre as dificuldades enfrentadas pelos antigos combatentes, que se queixaram do tratamento que recebem por parte do Governo. “Há muito tempo que os antigos combatentes são maltratados”, afirmou Gouveia e Melo, apoiando a necessidade de melhores subsídios.
A uma semana do início oficial da campanha, o candidato expressou o desejo de se conectar com as pessoas nas ruas, destacando a sua preferência por interações diretas em vez de se limitar à imagem que é projetada na televisão. “Gosto mais disto, de estar junto às pessoas”, disse.
Gouveia e Melo também abordou a questão da transferência de verbas do Governo para instituições de solidariedade social, que tem causado atrasos nos pagamentos de subsídios de Natal. “É lamentável que esse tipo de situações aconteça. As respostas para a terceira idade estão muito aquém das necessidades”, lamentou.
Sobre a possível extinção do cargo de representante da República nas regiões autónomas, o candidato remeteu a discussão para a Assembleia da República, questionando se a sua existência trouxe perturbações nas relações entre o continente e os arquipélagos.
Gouveia e Melo, que permanece na ilha Terceira até segunda-feira, visitará um lar de idosos e tem agendada uma ação de rua em Angra do Heroísmo. Neste momento, a Assembleia da República ainda não elegeu os cinco membros que lhe competem indicar para o Conselho de Estado, prolongando um impasse que se arrasta há mais de seis meses.
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Fonte: Sapo





