A Bolsa de Lisboa viveu um ano memorável em 2025, alcançando um crescimento de 29,58%, o melhor desempenho desde 2009. Este resultado positivo contrasta com o desaire de 0,3% registado em 2024, quando as praças mundiais mostraram uma tendência de ganhos. O índice PSI, que agora conta com 16 cotadas após a promoção da Teixeira Duarte, fechou o ano em 8.263,65 pontos, destacando-se como um dos melhores desempenhos na Europa, apenas superado pela bolsa de Madrid e pelas bolsas italiana e grega.
O crescimento da Bolsa de Lisboa foi impulsionado principalmente pelo BCP, que viu as suas ações dispararem 92,86%, e pela Sonae, com uma valorização de 76,37%. João Queiroz, responsável pela negociação no Banco Carregosa, sublinha que a bolsa portuguesa beneficiou de uma reavaliação dos múltiplos e de uma melhoria na visibilidade de algumas empresas. “O PSI premiou momentum e narrativas com visibilidade”, afirma Queiroz, indicando que o mercado se tornou mais exigente em relação a empresas com ciclos de negócio mais ambíguos.
O ano de 2025 não começou fácil, com desafios como tarifas da nova administração norte-americana, a guerra na Ucrânia e no Médio Oriente, e um crescimento económico fraco que ameaçava a confiança dos investidores. Contudo, à medida que o ano avançava, as bolsas europeias e norte-americanas começaram a consolidar ganhos, com o índice europeu Stoxx 600 a subir cerca de 16%. O setor da banca destacou-se com um crescimento de 67%, a maior subida desde a crise financeira de 2008.
Em Portugal, a maioria das cotadas terminou o ano em alta, com apenas quatro empresas a registarem perdas: Corticeira Amorim, Altri, Navigator e Galp. O desempenho da Bolsa de Lisboa foi notável, especialmente quando comparado com outras praças europeias, como o Ibex-35 em Espanha, que disparou cerca de 50%, e o Dax-30 na Alemanha, que subiu 23%.
Para 2026, as perspetivas são otimistas. Pedro Barata, gestor de ações da GNB, prevê um crescimento acima da média europeia, sustentado por uma taxa de desemprego reduzida e uma dívida pública em declínio. Barata destaca também o aumento do salário mínimo e a redução da taxa de IRS como fatores que poderão impulsionar o consumo interno.
João Queiroz antecipa que o próximo ano será marcado por uma maior exigência no mercado, com uma ênfase no “stock picking”. “O PSI pode continuar a ter um bom desempenho, mas a diferença entre as empresas vencedoras e as perdedoras tenderá a aumentar”, afirma. António Seladas, fundador da AS Independent Research, acrescenta que, apesar de um dólar fraco poder pressionar as exportadoras, o consumo interno deverá manter-se robusto.
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Bolsa de Lisboa Nota: análise relacionada com Bolsa de Lisboa.
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Fonte: ECO





