Marques Mendes critica devassa da democracia em debate presidencial

O candidato à Presidência da República, Luís Marques Mendes, expressou preocupações sobre a devassa da democracia durante um debate transmitido em várias rádios, incluindo Antena 1 e TSF. Mendes destacou a diferença entre o escrutínio das relações entre política e negócios e a devassa que, segundo ele, está a prejudicar o sistema democrático. “Uma coisa é escrutínio, outra é devassa, insinuação e suspeita, e isso está a dar cabo da democracia”, afirmou, referindo-se a episódios da atual campanha eleitoral que considera prejudiciais.

Marques Mendes, que é apoiado pelos partidos do Governo, PSD e CDS, sublinhou que uma única lei não é suficiente para garantir a transparência nas relações entre a política e os negócios. Para ele, é essencial que o escrutínio não afaste os melhores da vida política. “Todos falamos de melhorar a democracia e o seu funcionamento”, acrescentou.

Recentemente, a revista Sábado noticiou que Marques Mendes não esclareceu como obteve 709 mil euros líquidos nos últimos dois anos como consultor externo da sociedade Abreu Advogados. Embora tenha enviado uma lista com 22 clientes da sua empresa familiar, não revelou os clientes da sociedade de advogados, alegando sigilo profissional.

Por outro lado, Henrique Gouveia e Melo, outro candidato presente no debate, afirmou que “o que degrada verdadeiramente a democracia é a opacidade e a falta de transparência”. Gouveia e Melo considerou a nova lei do lobby um passo importante, mas insuficiente, defendendo a necessidade de criminalizar o enriquecimento ilícito. Quando questionado sobre a possibilidade de políticos terem negócios, respondeu que não vê ilegalidade, desde que haja clareza.

Durante o debate, ambos os candidatos foram questionados sobre potenciais conflitos de interesse. Marques Mendes afirmou ter recusado convites para cargos tanto no Estado como no setor privado, assegurando que não há opacidade na sua atividade de advocacia. Gouveia e Melo, por sua vez, disse nunca ter enfrentado esse tipo de problema.

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A revista Sábado também revelou que o Ministério Público de Almada está a investigar ajustes diretos aprovados por Gouveia e Melo enquanto comandante Naval da Marinha, embora a Procuradoria-Geral da República tenha esclarecido que o candidato não é arguido no processo.

As opiniões sobre a nova lei do lobby variaram entre os outros candidatos. João Cotrim Figueiredo, da IL, considerou a lei um passo na direção certa, enquanto Jorge Pinto, do Livre, enfatizou que a transparência é o essencial. António José Seguro, do PS, afirmou que esta regulação já vem tarde, e André Ventura, do Chega, sustentou que a lei não resolverá o problema. António Filipe, do PCP, e Catarina Martins, do BE, criticaram a lei, considerando-a uma “falsa questão” e um potencial facilitador do tráfico de influências.

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Fonte: ECO

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