A candidata presidencial Catarina Martins, apoiada pelo Bloco de Esquerda, não poupou críticas à posição do Governo português em relação ao recente ataque dos Estados Unidos à Venezuela. Em declarações feitas durante uma visita à Feira de Canidelo, em Vila Nova de Gaia, Martins considerou a atitude do Executivo “vergonhosa”, sublinhando que defender Portugal implica também defender o direito internacional.
“Isto não tem a ver com defender ou não o regime de Nicolás Maduro, mas sim com questões de direito internacional”, afirmou a candidata. A sua crítica centrou-se na falta de condenação por parte de Portugal em relação à ação dos Estados Unidos, que, segundo ela, demonstra uma conivência com a “lei do mais forte”.
Martins alertou para as consequências de uma política que não defenda o direito internacional, afirmando que tal postura poderá encorajar outros líderes autoritários, como Vladimir Putin e Donald Trump, a agirem de forma semelhante em diferentes partes do mundo. “Essa é a política mais fraca de todas”, disse, referindo-se ao risco de que a falta de uma posição firme possa levar a uma escalada de conflitos internacionais.
A candidata acredita que ainda há tempo para que a comunidade internacional, incluindo os chefes de Estado, se articule e condene de forma inequívoca as ações que estão a ocorrer na Venezuela. “Ainda estamos a tempo para uma articulação da comunidade internacional e dos chefes de Estado de condenação inequívoca do que aconteceu, para defenderem o direito internacional e, com isso, defendermos a paz”, concluiu.
Por sua vez, o ministro dos Negócios Estrangeiros português, Paulo Rangel, defendeu uma abordagem que vise trazer “democracia e estabilidade” à Venezuela. Rangel manifestou a preferência por uma solução que inclua o antigo candidato da oposição, Edmundo González Urrutia, como presidente “a prazo”. “Temos esta situação de facto e temos de trabalhar para criar uma solução que traga democracia, estabilidade, governabilidade à Venezuela”, afirmou Rangel em declarações à imprensa.
No entanto, a posição do Governo, segundo Catarina Martins, não está alinhada com a necessidade de defender o direito internacional, algo que ela considera fundamental para a manutenção da paz. A sua crítica à posição do Governo português sobre a Venezuela levanta questões importantes sobre a responsabilidade dos Estados em cenários de conflito internacional.
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Fonte: Sapo





