A China solicitou este domingo aos Estados Unidos a libertação imediata de Nicolás Maduro, o Presidente da Venezuela, que foi detido em Nova Iorque após uma operação militar norte-americana realizada no sábado. A diplomacia chinesa apelou à proteção da segurança pessoal de Maduro e da sua esposa, Cilia Flores, e pediu o fim das tentativas de derrubar o governo venezuelano.
Em comunicado, o Ministério dos Negócios Estrangeiros da China descreveu a operação como uma “flagrante violação do direito internacional”. A ação militar dos EUA, que resultou na captura de Maduro e da sua mulher, foi anunciada pelo presidente norte-americano, Donald Trump, que afirmou que o país governará a Venezuela até que uma transição de poder seja concluída.
Maduro já enfrentava acusações formais desde 2020, incluindo narcoterrorismo e conspiração para importar cocaína para os Estados Unidos. No sábado, o Ministério Público do Distrito Sul de Nova Iorque apresentou novas acusações contra o líder venezuelano.
Antes da confirmação da detenção, a China já tinha manifestado a sua condenação aos ataques militares lançados pelas forças norte-americanas. A diplomacia de Pequim expressou estar “profundamente chocada” com a operação, considerando-a um “uso descarado da força” contra um país soberano. Para a China, estas ações violam gravemente o direito internacional e ameaçam a paz e a segurança na América Latina e no Caribe.
A relação entre a China e a Venezuela tem sido historicamente próxima, com laços diplomáticos e económicos significativos. A China reiterou a sua oposição a intervenções militares e defendeu os princípios da soberania estatal e da não ingerência nos assuntos internos de outros países. A comunidade internacional, por sua vez, está dividida entre aqueles que condenam os EUA e aqueles que saudam a queda de Maduro, que foi reeleito em julho numa votação contestada pela oposição.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, expressou “profunda preocupação” com a recente escalada de tensão na Venezuela, alertando que a ação militar dos EUA poderá ter “implicações preocupantes” para a região. Em resposta à detenção de Maduro, o Supremo Tribunal de Justiça da Venezuela decidiu que a vice-presidente executiva, Delcy Rodríguez, deverá assumir a presidência interina para garantir a continuidade administrativa do país. Contudo, o tribunal não especificou quando esta transição deverá ocorrer.
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Fonte: Sapo





