Janeiro é tradicionalmente o mês das previsões e cenários optimistas, mas em 2026, a abordagem deve ser mais cautelosa. A economia global entra numa fase de instabilidade económica, afastando-se da habitual euforia de início de ciclo. O ano começa com a consciência de que a “normalidade” do passado é agora uma memória distante, coberta de nostalgia.
Os Mercados de Capitais, que costumavam ser um reflexo da economia real, transformaram-se num casino global, dominado por algoritmos imprevisíveis. Em 2026, a inflação já não será a principal preocupação; a volatilidade estrutural será a nova norma. O investidor terá de ser cauteloso, desconfiando tanto de rallies exagerados como de previsões apocalípticas. A chamada “bolha da IA” está a entrar numa fase crítica, onde já não basta prometer inovação; é necessário apresentar lucros que justifiquem avaliações elevadas. Este ano será marcado por uma limpeza de expectativas, onde o capital especulativo se evaporará e o “dinheiro velho” voltará a investir em activos reais.
A geopolítica também traz desafios significativos. Na Ucrânia, a guerra continua numa fase delicada, com a resistência dos ucranianos a ser testada. A Europa enfrenta o dilema de equilibrar despesas em defesa com a manutenção do Estado Social, enquanto Moscovo aposta na paciência e na tecnologia. A situação em Taiwan também se agrava, com a China a intensificar a pressão sobre a ilha, tornando-se um ponto crítico para a economia digital global.
Na América Latina, a detenção de Nicolás Maduro marca um ponto de viragem, revelando a determinação dos EUA em não manter ambiguidade face ao regime venezuelano. As repercussões desta acção estão a ser sentidas em toda a região, reacendendo debates sobre soberania e precedentes perigosos.
Por outro lado, o Irão continua a ser uma fonte de tensão, com a questão nuclear a tornar-se cada vez mais urgente. O regime iraniano, sob pressão interna, poderá provocar oscilações nos preços do petróleo, especialmente no Estreito de Ormuz.
Em Portugal, 2026 será um ano de eleições presidenciais, onde o eleitorado procura um líder que traga gravitas institucional e não apenas popularidade. O país precisa de políticas económicas sustentáveis e não de negociações anuais de orçamentos.
No mercado de trabalho, a luta entre o trabalho remoto e presencial resulta numa nova dinâmica, onde a classe média enfrenta desafios existenciais. As empresas procuram o “toque humano” enquanto automatizam processos, criando um cenário onde ofícios manuais podem tornar-se mais valorizados.
O Mundial de Futebol de 2026, apesar de ser um evento de grande escala, também simboliza a excessiva logística da economia global. Em um mundo repleto de tensões, a paixão pelo futebol poderá ser um escape momentâneo.
Em resumo, 2026 não será um ano fácil. A instabilidade económica e os desafios globais exigem uma adaptação constante. A economia avançará de forma desigual, penalizando a complacência e premiando a capacidade de adaptação. A verdadeira questão é se estaremos prontos para ajustar as nossas expectativas e decisões a um mundo que já mudou.
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Fonte: ECO





