Captura de Maduro leva América Latina a reavaliar laços com a China

A detenção de Nicolás Maduro pelos Estados Unidos provocou uma onda de reflexões nas relações com a China entre os países da América Latina. Analistas acreditam que este episódio evidencia os limites do apoio chinês aos seus aliados na região, levando os governos a reavaliar o valor das suas alianças com Pequim.

A operação militar que resultou na remoção de Maduro do poder e na colocação da Venezuela sob uma “transição” supervisionada por Washington representa uma das intervenções mais diretas dos EUA na América Latina em décadas. Para os especialistas, este acontecimento sinaliza uma mudança significativa na estratégia norte-americana e obriga a uma nova análise do papel de potências como a China e a Rússia no continente.

A reação de Pequim foi de condenação formal. O ministério dos Negócios Estrangeiros chinês expressou estar “profundamente chocado” e classificou a ação como um exemplo de “hegemonismo” que ameaça a paz e a segurança na América Latina e Caraíbas. Apesar dos protestos diplomáticos, a China, tal como a Rússia, não tomou medidas concretas em resposta à detenção.

Bill Bishop, autor do boletim Sinocism, destacou que o episódio expôs uma “falha massiva” na análise e inteligência da China. O enviado especial de Pequim para a região, Qiu Xiaoqi, tinha estado reunido com Maduro poucas horas antes da operação, o que levanta questões sobre a eficácia da diplomacia chinesa. Bishop sublinha que “o valor da parceria com a China não se estende à segurança política”.

Embora a China seja o maior comprador de petróleo da Venezuela e tenha emprestado entre 10 a 20 mil milhões de dólares ao país, a sua resposta limitou-se a defender princípios de não-intervenção e soberania, sem proteger os seus interesses no terreno. Este cenário levanta dúvidas sobre a fiabilidade da China como parceiro estratégico.

Leia também  Mercados em alta: Dow, S&P 500 e Nasdaq impulsionados pela tecnologia

Eric Farnsworth, do ‘think tank’ CSIS, afirmou que a operação reflete a nova doutrina de segurança nacional dos EUA, recentemente apresentada por Donald Trump. “O que importa não é a retórica, mas sim se é seguida por ações”, frisou Farnsworth, referindo que a intervenção na Venezuela demonstra que as palavras têm consequências práticas.

Trump afirmou que as forças norte-americanas permanecerão na Venezuela “por tempo indeterminado” e que os EUA garantirão a continuidade da produção de petróleo, incluindo para o mercado chinês. Além disso, o Presidente norte-americano insinuou que outras ações poderão ocorrer em países vizinhos, como a Colômbia e Cuba.

Na América Latina, muitos governos apelaram publicamente à contenção e ao respeito pela soberania, enquanto, em privado, analisam as implicações de uma operação que removeu um líder aliado da China e da Rússia sem uma resposta efetiva por parte dessas potências.

Parsifal D’Sola, diretor da Fundación Andrés Bello, observou que a reação da China está alinhada com a sua estratégia de longo prazo na América do Sul, focando em comércio, energia e infraestruturas, enquanto evita envolvimentos diretos em questões de segurança. “A China está perfeitamente confortável com isso”, afirmou.

Os analistas concordam que este episódio não marcará o fim das relações económicas com a China, mas poderá levar os países sul-americanos a gerir essas relações com mais cautela. “Até o Brasil será mais prudente, especialmente em áreas sensíveis”, sublinhou D’Sola.

A situação poderá reforçar a imagem da China como um parceiro comercial fiável, mas incapaz de oferecer garantias em momentos de crise. “A lição é que a China pode ser um parceiro económico, mas não um garante de segurança”, concluiu Farnsworth.

Leia também: O impacto das relações comerciais entre a América Latina e a China.

Leia também  Moldova: Partido pró-europeu PAS vence eleições legislativas

relações com a China relações com a China relações com a China relações com a China Nota: análise relacionada com relações com a China.

Leia também: Dívidas da Heliportugal à CGD podem ter prescrito

Fonte: Sapo

Simular quanto pode poupar nos seus seguros!

Não percas as principais notícias e dicas de Poupança

Não enviamos spam! Leia a nossa política de privacidade para mais informações.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Back To Top