O primeiro-ministro da Gronelândia, Jens-Frederik Nielsen, afirmou que o território autónomo dinamarquês deve manter a calma e evitar o “pânico” em resposta às ameaças dos Estados Unidos sobre uma possível ocupação. Em conferência de imprensa realizada em Nuuk, a capital da Gronelândia, Nielsen destacou que a situação não permite que os EUA conquistem a Gronelândia e que é fundamental restabelecer a boa cooperação que existia entre os dois lados.
Nielsen sublinhou que o governo da Gronelândia adotará uma postura mais firme, uma vez que não estão satisfeitos com a atual situação. O primeiro-ministro rejeitou comparações entre a Gronelândia e a Venezuela, enfatizando que a Gronelândia é um país democrático com uma longa história de liberdade. “O nosso país não é comparável à Venezuela. Temos sido uma democracia há muitos anos”, afirmou.
Com uma população de cerca de 57.000 habitantes, a Gronelândia possui vastos recursos minerais, muitos dos quais ainda não foram explorados, além de uma localização estratégica. Os Estados Unidos já têm uma base militar na ilha e operaram várias outras durante a Guerra Fria. Recentemente, Trump comentou sobre a Gronelândia, afirmando que a segurança nacional dos EUA depende do território.
Aaja Chemnitz, representante da Gronelândia no Parlamento dinamarquês, realçou a importância de estar preparado para todos os cenários, incluindo ameaças externas e possíveis sabotagens a infraestruturas críticas. A tensão aumentou após a nomeação de um enviado especial dos EUA para a Gronelândia e uma publicação nas redes sociais da Casa Branca que sugeria uma futura anexação do território.
A União Europeia também se manifestou, afirmando que a Gronelândia não é “um bocado de terra que esteja à venda”. Paula Pinho, porta-voz do executivo comunitário, garantiu que a UE está em contacto com o primeiro-ministro da Gronelândia para reafirmar a soberania do território. Annitta Hipper, porta-voz para a Política Externa, reiterou que a UE defenderá os princípios de soberania nacional e integridade territorial, especialmente se um Estado-Membro estiver em risco.
Os líderes europeus expressaram apoio à Dinamarca e à Gronelândia, com o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, a solidarizar-se com Copenhaga. Uma sondagem recente revelou que 85% dos gronelandeses se opõem à anexação pelos Estados Unidos, enquanto apenas 6% se mostram favoráveis.
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Fonte: ECO





