O grupo Hoti Hotéis projeta um aumento nas suas receitas para 2026, estimando alcançar cerca de 130 milhões de euros, o que representa um crescimento de 7% em relação a 2025. No entanto, apesar das expectativas otimistas, a empresa manifesta preocupações com a instabilidade em alguns dos principais destinos turísticos de Portugal, como Lisboa e Porto. Durante uma conferência de imprensa em Lisboa, o CEO da Hoti Hotéis, Miguel Proença, sublinhou que o desempenho dos hotéis na Grande Lisboa ficou aquém do esperado, com receitas semelhantes às de 2024 e previsões para 2026 que são “bastante conservadoras”.
Proença destacou que a situação não é apenas um problema isolado, mas sim uma tendência crescente. “Nos últimos anos, temos assistido ao surgimento de destinos problemáticos, começando por Leiria e passando pelo Grande Porto, que enfrenta um aumento significativo da oferta hoteleira. Agora, Lisboa é a nossa maior preocupação”, afirmou. O principal fator de instabilidade em Lisboa é a saturação do aeroporto e os problemas associados ao controlo de fronteiras, que têm um impacto negativo na reputação do destino Portugal.
“Desejamos que a situação do aeroporto seja resolvida rapidamente, mas as nossas expectativas têm de ser ajustadas. Não vemos soluções a curto prazo que possam normalizar o fluxo turístico em Lisboa”, lamentou Proença. No Grande Porto, o aumento da oferta hoteleira tem agravado as dificuldades, enquanto em Peniche a sazonalidade e a dependência de um único segmento de mercado, como o surf, têm limitado o crescimento.
Proença descreveu Peniche como um destino que precisa de diversificação, uma vez que a sua oferta tem estado muito ligada a um único segmento. “Peniche tem um problema grave de sazonalidade. Precisamos de uma dinâmica diferente para revitalizar o destino”, disse. Quanto a Leiria, o CEO considerou-o um “destino frágil”, onde cada novo hotel tem um impacto significativo na oferta existente.
Apesar das dificuldades, a Hoti Hotéis não considera que haja uma crise generalizada, mas sim um abrandamento localizado, que varia de destino para destino. A empresa planeia sustentar o crescimento em 2026 através da valorização de ativos recentemente remodelados e de investimentos seletivos. A estratégia do grupo foca na continuidade do crescimento, mas com uma abordagem prudente, que exige maior eficiência operacional e controlo de custos.
Em termos comerciais, a Hoti Hotéis espera um equilíbrio entre o crescimento de preços e a taxa de ocupação em 2026, após dois anos de valorização de preços. Em 2025, o preço médio por quarto foi de 106 euros, um aumento de 5%, enquanto a taxa de ocupação registou uma ligeira descida de 0,5 pontos percentuais, fixando-se em 74%. Com 21 hotéis em Portugal e um em Moçambique, o grupo está também a preparar a sua entrada em Luanda.
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Hoti Hotéis Nota: análise relacionada com Hoti Hotéis.
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Fonte: ECO





