Os preços do petróleo registaram uma valorização superior a 1,5% esta segunda-feira, em resposta à recente operação militar dos Estados Unidos na Venezuela. O ex-presidente Donald Trump anunciou que as petrolíferas norte-americanas irão entrar no país sul-americano para recuperar as infraestruturas petrolíferas, prevendo-se investimentos na ordem de “milhares de milhões de dólares”.
O petróleo Brent, referência para as importações em Portugal, subiu 1,66%, fixando-se em 61,76 dólares por barril. Por sua vez, o WTI, negociado em Nova Iorque, viu um aumento de 1,74%, alcançando os 58,32 dólares por barril. Esta valorização dos preços do petróleo está diretamente ligada às notícias sobre a intervenção na Venezuela, um país que detém as maiores reservas de crude do mundo.
Contudo, a produção petrolífera da Venezuela tem vindo a decair nas últimas décadas, em grande parte devido a sanções, bloqueios económicos dos EUA, má gestão e a falta de investimento estrangeiro após a nacionalização das operações petrolíferas nos anos 2000. Em 2022, a produção média do país foi de cerca de um milhão de barris por dia, representando apenas 1% da produção global.
Na sua declaração, Trump deixou claro que os interesses dos EUA na Venezuela são significativos, afirmando que Washington pretende assumir o controlo das reservas de petróleo do país e que as empresas norte-americanas irão explorar e investir no setor. Esta situação gera incertezas no mercado, com analistas da Aegis Hedging a afirmarem que o impacto das ações dos EUA sobre os fluxos de petróleo da Venezuela é ainda desconhecido.
As opiniões entre os analistas divergem quanto à evolução futura dos preços do petróleo. Alguns acreditam que a recuperação da indústria petrolífera venezuelana, especialmente após a possível captura de Nicolás Maduro, será um processo longo e dispendioso. Thomas Mucha, estratega geopolítico da Wellington Management, prevê que os preços do petróleo possam cair, refletindo rapidamente as mudanças no mercado.
Além disso, Christian Schulz, economista-chefe da Allianz Global Investors, e Alexander Robey, gestor de carteiras da mesma instituição, alertam que as receitas do petróleo não serão uma solução rápida para os problemas financeiros da Venezuela. A restauração da produção a níveis de um a dois milhões de barris por dia poderá levar entre 5 a 10 anos e exigir investimentos que podem ascender a 100 mil milhões de dólares.
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Fonte: ECO





