O início de 2026 trouxe consigo uma intervenção militar dos Estados Unidos na Venezuela, uma ação que promete acelerar o rumo da História. Embora não se possa ignorar a falta de legitimidade do regime de Nicolás Maduro, que se mantém no poder através do controlo do Estado e do apoio de alguns aliados internacionais, a intervenção americana levanta sérias questões sobre a legalidade e a moralidade da ação.
A intervenção militar dos EUA é uma violação dos princípios do Direito Internacional, sendo considerada ilegítima e condenável. Os fins não justificam os meios, e a soberania da Venezuela deve ser respeitada. No entanto, este cenário oferece uma oportunidade para que o país inicie um processo de reforma e construa uma sociedade democrática e livre. É crucial que esse esforço seja liderado pela própria população venezuelana, sem a tutela de potências estrangeiras.
Além disso, a intervenção militar destaca uma nova dinâmica nas relações internacionais. Os Estados Unidos, ao interpretarem a Doutrina Monroe, assumem que a América Latina é uma “esfera de influência” onde se sentem autorizados a intervir nos assuntos internos de outras nações. Esta abordagem não é apenas geoestratégica, mas também económica, o que coloca em risco o sistema de regulação pacífica de conflitos que foi estabelecido após a Segunda Guerra Mundial.
A criação de esferas de influência por parte de grandes potências, como a Rússia e a China, também poderá resultar em conflitos armados em várias regiões do mundo. A instabilidade é uma característica inerente a estas esferas, especialmente em áreas como o Japão, Taiwan e o Médio Oriente, onde os interesses económicos e políticos se cruzam frequentemente.
Enquanto isso, outros países, como a Índia e algumas nações islâmicas, poderão tentar afirmar-se no cenário internacional, embora as rivalidades históricas possam dificultar essa afirmação. A Europa, por sua vez, enfrenta um dilema: ou se une como uma entidade coletiva independente, ou cada Estado-membro terá de escolher a sua esfera de influência, o que poderá limitar a sua autonomia.
O futuro da Venezuela e da América Latina está em jogo, e a intervenção militar dos EUA poderá ter consequências de longo alcance. É vital que a comunidade internacional esteja atenta a estes desenvolvimentos e que se promova um diálogo respeitoso e construtivo. Leia também: O impacto das intervenções militares na economia global.
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Fonte: Sapo





