O presidente do Conselho Europeu, António Costa, afirmou esta quarta-feira que a Gronelândia “pertence ao seu povo” e que “nada pode ser decidido” sobre o território sem a sua participação ou a da Dinamarca. Estas declarações foram feitas durante um discurso em Nicósia, na cerimónia de abertura da presidência cipriota do Conselho da União Europeia (UE).
Costa sublinhou que tanto a Gronelândia como a Dinamarca “contam com todo o apoio e solidariedade da UE”. O líder europeu garantiu que a Europa continuará a defender de forma firme o direito internacional e o multilateralismo. O contexto histórico de ocupação e divisão de Chipre, onde se realiza a presidência, conferiu a Costa uma perspetiva particular sobre a importância do direito internacional para a paz e estabilidade entre nações.
“A Europa não é apenas uma referência geográfica, é uma comunidade de valores”, afirmou, enfatizando que a força da UE não se baseia apenas na prosperidade económica ou no investimento em defesa. “Depende, acima de tudo, da consistência com que defendemos esses valores”, acrescentou. Costa destacou que a União Europeia não pode aceitar violações do direito internacional, referindo-se a situações em Chipre, na América Latina, na Gronelândia, na Ucrânia ou em Gaza.
O presidente do Conselho Europeu recordou que a história europeia ensina que o unilateralismo pode levar a conflitos e instabilidade, uma lição que foi relembrada com a invasão da Ucrânia pela Rússia. “O apoio incondicional da UE à Ucrânia representa uma defesa clara dos princípios consagrados na Carta das Nações Unidas”, disse Costa, reiterando o compromisso da UE em lutar por uma paz justa e duradoura.
O discurso de António Costa ocorre num momento em que a Casa Branca anunciou que o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, está a “considerar ativamente” a compra da Gronelândia. A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou que “todas as opções estão em cima da mesa”, incluindo a militar. Estas declarações geraram reações na Europa, com vários países a reiterarem o seu apoio a Copenhaga.
A primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, alertou que um eventual ataque norte-americano a um membro da NATO representaria “o fim” da ordem de segurança internacional do pós-guerra. O interesse dos EUA na Gronelândia é justificado pela necessidade de reforçar o controlo sobre a região do Árctico e impedir o avanço da China e da Rússia, apesar de já existirem tratados que permitem a presença militar dos EUA na ilha.
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Fonte: ECO





