A criação de crianças que se tornem adultos autónomos é um desafio que muitos pais enfrentam. Embora o desejo de ver os filhos crescerem confiantes e independentes seja comum, muitas vezes esquecemos que o nosso comportamento no presente pode influenciar esse futuro. A forma como ajudamos os nossos filhos, ou até mesmo o que deixamos de fazer por eles, pode ter um impacto significativo na sua capacidade de se tornarem adultos autónomos.
É verdade que ninguém nasce ensinado. O processo de aprendizagem é gradual e requer tempo, paciência e, muitas vezes, a oportunidade de errar. Contudo, muitos pais acabam por fazer demasiado pelas suas crianças, como atar sapatos ou resolver problemas de matemática, sem perceber que isso pode estar a sabotar a sua autonomia. Quando intervimos em tarefas que as crianças estão a tentar realizar, estamos a retirar-lhes a oportunidade de aprender e de desenvolver competências essenciais.
É fundamental que os pais estejam cientes das etapas do desenvolvimento das crianças e do que se espera que consigam fazer em cada fase. Dar tempo para que as crianças processem as instruções e tentem realizar as tarefas sozinhas é crucial. Muitas vezes, a paciência pode levar a resultados surpreendentes. Como disse Maria Montessori: “Nunca ajude uma criança numa tarefa que ela sente que pode realizar sozinha.” Essa liberdade para tentar e falhar é essencial para o desenvolvimento da autonomia.
Além disso, é importante que os pais evitem julgamentos e incentivem as crianças a tentarem, mesmo que as tarefas pareçam simples. Muitas vezes, as crianças enfrentam desafios que exigem habilidades que ainda estão a desenvolver, como a coordenação motora e a memória de trabalho. Em vez de expressar frustração, os adultos devem lembrar-se de que a exigência é maior para as crianças e que a motivação positiva pode fazer toda a diferença.
Quando se trata de ajudar, é essencial que os pais questionem se a ajuda é realmente necessária. Às vezes, a ajuda pode ser apenas um apoio moral, como um encorajamento ou uma palavra de motivação. Ensinar as crianças a pedirem ajuda quando realmente precisam é uma habilidade valiosa. Por exemplo, se uma criança está a tentar atar os sapatos, pode ser mais útil ajudá-la a dar os primeiros passos em vez de fazer o trabalho por completo.
É importante também que os pais reflitam sobre os seus próprios medos e ansiedades. Muitas vezes, a superproteção surge do receio de que algo possa correr mal. No entanto, é fundamental encontrar um equilíbrio entre proteger e permitir que as crianças explorem e aprendam com as suas experiências. A autonomia é uma necessidade psicológica básica e, ao permitir que os filhos experimentem, estamos a ajudá-los a desenvolver um senso de identidade e competência.
Por último, é importante lembrar que a ajuda deve ser dada com conta, peso e medida. Podemos e devemos ajudar os nossos filhos, mas apenas quando a nossa intervenção é realmente útil. O amor e o carinho também podem ser expressos através de pequenos gestos, como preparar um lanche ou oferecer apoio emocional.
A criação de adultos autónomos é uma jornada que requer reflexão e adaptação. Cada família é única e o que funciona para uma pode não ser adequado para outra. O importante é encontrar um equilíbrio que funcione para todos, permitindo que os filhos cresçam e se tornem os adultos autónomos que desejamos que sejam.
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Fonte: Doutor Finanças




