Após 25 anos de negociações, a União Europeia e o Mercosul assinarão um acordo comercial no dia 17 de janeiro. A aprovação por parte dos Estados-membros, apesar da oposição de países como França, Polónia e Áustria, marca um momento decisivo nas relações comerciais entre os dois blocos. O acordo prevê a eliminação de tarifas sobre 91% das exportações da UE para o Mercosul, enquanto a UE eliminará progressivamente tarifas sobre 92% das exportações do Mercosul.
A Comissão Europeia destaca que os principais produtos exportados da UE para o Mercosul incluem máquinas, produtos químicos e veículos. Por outro lado, a UE importa do Mercosul produtos agrícolas e minerais. Mas, quem são os verdadeiros vencedores e perdedores deste acordo?
Entre os vencedores, Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, é uma figura central. A sua liderança foi crucial para a aprovação do acordo, que necessitava de uma maioria qualificada entre os 27 Estados-membros da UE. Apesar das críticas e da oposição de alguns países, a assinatura do acordo é um marco importante para a sua presidência.
Friedrich Merz, chanceler alemão, também se posiciona como um dos beneficiários. Ele considera o acordo uma oportunidade para fortalecer a economia europeia e as relações comerciais com a América do Sul. A Alemanha, que já mantém um comércio significativo com o Mercosul, verá uma redução nas tarifas sobre produtos como automóveis e maquinaria, o que poderá aumentar as suas exportações para a região.
No entanto, nem todos estão satisfeitos. Emmanuel Macron, presidente francês, é um dos principais críticos do acordo. Ele expressou preocupações sobre o impacto que o acordo terá sobre a agricultura francesa, argumentando que os ganhos económicos serão limitados e que setores sensíveis da agricultura poderão ser prejudicados.
Os agricultores europeus, em particular, têm manifestado descontentamento. Apesar de algumas salvaguardas terem sido implementadas, muitos consideram que estas são insuficientes para proteger os seus interesses. Em Portugal, a Confederação Nacional da Agricultura (CNA) já alertou que o acordo poderá trazer mais perdas do que ganhos, especialmente para os agricultores de regiões periféricas.
O acordo UE-Mercosul representa uma oportunidade significativa para produtos como o vinho e o azeite português, que poderão beneficiar da redução de tarifas e do acesso a novos mercados. Contudo, a pressão sobre a agricultura europeia, especialmente em setores como a carne, poderá intensificar-se.
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Em suma, o acordo UE-Mercosul traz consigo tanto oportunidades como desafios. Enquanto alguns sectores poderão prosperar, outros enfrentarão dificuldades significativas. A discussão sobre os verdadeiros vencedores e perdedores deste acordo está longe de terminar.
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Fonte: ECO





