As estâncias de esqui na Europa estão a enfrentar uma crise sem precedentes, com muitas delas a serem abandonadas devido à falta de neve. Um novo mapa, disponível no site abandonedskitowns.com, revela a triste realidade de locais que outrora atraíam esquiadores e agora permanecem vazios, como sombras de um passado vibrante. Este inventário destaca não apenas as estâncias encerradas, mas também os desafios que as pequenas estâncias familiares enfrentam, que dependem da neve natural e de invernos longos para sobreviver.
Enquanto os grandes domínios alpinos continuam a prosperar, as estâncias de esqui de menor dimensão, especialmente aquelas localizadas abaixo dos 1500 metros de altitude, estão a ser severamente afetadas. Por exemplo, uma estância nos Pirenéus espanhóis teve de encerrar devido à irregularidade das quedas de neve, enquanto Céüze 2000, nos Alpes franceses, fechou as suas portas em 2018 após 85 anos de funcionamento, devido à falta de neve e à inviabilidade financeira.
O aquecimento global é apontado como o principal culpado por esta situação. Um estudo publicado na revista Nature Climate Change analisou 2234 estâncias de esqui em 28 países europeus e concluiu que a escassez de neve deverá intensificar-se, colocando em risco mais de 53% das estâncias se a temperatura global aumentar 2 °C. Com um aumento de 4 °C, esse número sobe para quase todas as estâncias (98%). A produção de neve artificial pode mitigar esses riscos, mas a um custo elevado.
A indústria de esqui na Europa poderá perder até 10 mil milhões de euros por ano em receitas, postos de trabalho e serviços associados, se as tendências atuais se mantiverem. Embora a neve artificial se apresente como uma solução, os custos associados à sua produção são significativos. O preço da neve artificial varia entre 2 a 3,8 euros por metro cúbico, e a instalação de sistemas de canhões de neve pode custar entre 450 mil e 5 milhões de euros. Além disso, a operação destes sistemas consome uma quantidade elevada de eletricidade, contribuindo para emissões de dióxido de carbono.
Portanto, a neve artificial não é apenas uma solução técnica, mas um negócio dispendioso que pode não ser viável para todas as estâncias de esqui. Apesar de algumas grandes estâncias continuarem a prosperar, a situação é preocupante e levanta questões sobre a sustentabilidade a longo prazo do setor. A crise das estâncias de esqui é uma bola de neve que, se não for abordada, poderá ter consequências devastadoras para a indústria e para as comunidades que dela dependem.
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Fonte: Sapo





