A Floene, a maior distribuidora de gás em Portugal, revelou que tem em vista a implementação de 50 projetos de biometano até 2030, com um investimento estimado entre 1,3 e 1,5 mil milhões de euros. Gabriel Sousa, CEO da empresa, destacou a importância de estabelecer regras claras para viabilizar estes projetos, que estão alinhados com o Plano de Ação para o Biometano.
Atualmente, a Floene já assinou 11 contratos para a injeção de biometano na rede, o que representa cerca de 0,8 TWh. Para atingir a meta de 2,7 TWh até 2030, a empresa reconhece que será necessário avançar com mais projetos. Sousa sublinha que a tecnologia do biometano é mais madura e oferece benefícios significativos na gestão de resíduos, o que torna a sua implementação uma prioridade.
Neste momento, a Floene tem cerca de 200 pedidos de injeção de gases renováveis na sua rede. Embora os projetos de hidrogénio tenham mostrado uma desaceleração, a procura por biometano tem crescido, evidenciando um potencial significativo para a descarbonização das redes de gás em Portugal. Sousa acredita que a aceleração destes projetos é crucial para o futuro energético do país.
Para que os 50 projetos se tornem realidade, a Floene propõe um modelo de partilha de custos semelhante ao que já é aplicado em países como França e Itália. A proposta sugere que 80% dos custos de ligação à rede sejam suportados pelo Sistema Nacional de Gás, enquanto 20% ficariam a cargo dos produtores. Esta abordagem poderia resultar num aumento de apenas 1,2% a 1,5% no preço final do gás para os consumidores.
A empresa está a trabalhar em conjunto com grupos de trabalho dedicados para definir as regras e mecanismos necessários para o sucesso dos projetos de biometano. Sousa destaca que é fundamental que os investidores e promotores tenham clareza sobre as condições de implementação antes de avançar com novos concursos. A expectativa é que, no início do próximo ano, as regras estejam mais definidas, permitindo um avanço significativo na área do biometano.
Além disso, a Floene está atenta ao potencial de investimento em biometano em Espanha, que, apesar de ter uma ambição inferior à de Portugal, apresenta uma oportunidade de captar investidores. A empresa acredita que, ao desenvolver projetos de biometano, não apenas estará a contribuir para a sustentabilidade energética do país, mas também a resolver problemas relacionados com a gestão de resíduos.
Em suma, a Floene está determinada a transformar a visão de um futuro com biometano em realidade, e a colaboração com o governo e outros stakeholders será essencial para alcançar este objetivo. Leia também: O futuro do gás natural em Portugal.
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Fonte: ECO





