Bolsa portuguesa em 2025: números e análise ao melhor ano do PSI desde 2009

A bolsa portuguesa viveu em 2025 um ano absolutamente excecional. De facto, o PSI registou uma valorização próxima dos 30%, encerrando o exercício nos níveis mais elevados desde 2009. Assim, o mercado acionista nacional destacou-se claramente no panorama europeu, contrariando a ideia de que Portugal continua a ser um mercado periférico e pouco relevante.

Desempenho do PSI em 2025: os números essenciais

Antes de mais, importa olhar para os dados concretos. Ao longo de 2025, o PSI subiu entre 29% e 30%, consoante a metodologia considerada. Além disso, o índice iniciou o ano na zona dos 6.400 pontos e terminou acima dos 8.200 pontos, tendo ultrapassado os 8.300 pontos durante o mês de dezembro.

Consequentemente, 2025 passou a figurar como o melhor ano da bolsa portuguesa desde 2009, num movimento que não se concentrou num único período. Pelo contrário, a valorização foi relativamente consistente ao longo do ano, com correções pontuais rapidamente absorvidas pelo mercado.

O que explica a subida do PSI em 2025?

Naturalmente, uma valorização desta dimensão não acontece por acaso. Por isso, é fundamental analisar os principais fatores que sustentaram o desempenho do índice.

Forte contributo do setor bancário

Em primeiro lugar, o setor bancário foi determinante. Em particular, o Banco Comercial Português (BCP) destacou-se como o principal motor da subida do PSI. Ao longo do ano, a ação registou uma valorização próxima dos 90%, refletindo a melhoria significativa dos resultados e a redução do risco percebido pelos investidores.

Além disso, o contexto macroeconómico favoreceu as instituições financeiras, o que levou a uma reavaliação generalizada do setor. Deste modo, o peso do BCP no índice amplificou o impacto positivo da sua valorização no desempenho global do PSI.

Retalho e consumo com desempenhos sólidos

Por outro lado, o setor do retalho também teve um papel relevante. Neste contexto, a Sonae valorizou cerca de 70% em 2025. Por um lado, beneficiou da resiliência do consumo interno; por outro, a melhoria das margens operacionais reforçou a confiança do mercado.

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Assim, o setor do consumo acabou por complementar o contributo da banca, ajudando a sustentar a subida do índice ao longo do ano.

Construção e engenharia a recuperar

Entretanto, o setor da construção voltou a ganhar destaque. Em particular, a Mota-Engil registou uma valorização superior a 60%. Isto deveu-se, sobretudo, à solidez da carteira de encomendas e à forte exposição internacional.

Consequentemente, o setor contribuiu de forma relevante para o desempenho agregado do PSI, num movimento que refletiu também uma maior apetência pelo risco por parte dos investidores.

Setores com desempenho mais moderado

No entanto, nem todas as empresas acompanharam o ritmo do índice. Por comparação, setores mais defensivos apresentaram ganhos mais contidos.

A Galp Energia valorizou cerca de 25%, sendo condicionada pela volatilidade dos preços da energia. Ainda assim, manteve uma evolução positiva. Já a EDP registou ganhos na ordem dos 10% a 15%, penalizada pelo contexto regulatório e pelo impacto das taxas de juro.

Do mesmo modo, a Jerónimo Martins teve uma valorização mais modesta, entre 5% e 10%, refletindo pressões nos custos operacionais e a exposição a mercados internacionais.

Leitura técnica do PSI em 2025

Do ponto de vista técnico, o comportamento do PSI foi claramente positivo. Ao longo do ano, o índice manteve-se acima das principais médias móveis de médio e longo prazo. Além disso, as correções foram curtas e pouco profundas.

A zona dos 8.000 pontos funcionou como suporte relevante no último trimestre. Por sua vez, a área entre os 8.400 e os 8.500 pontos começou a surgir como resistência natural, refletindo níveis de realização de mais-valias.

Conclusão: 2025 como ano de referência da bolsa portuguesa

Em síntese, 2025 marcou um ponto de viragem para a bolsa portuguesa. Com uma valorização próxima dos 30%, o PSI regressou a níveis pré-troika e registou o melhor desempenho anual desde 2009.

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Mais do que um movimento pontual, este resultado refletiu uma reavaliação clara do risco e do potencial das principais empresas cotadas. Por conseguinte, 2025 ficará como um ano de referência para quem acompanha o mercado acionista português de forma técnica e fundamentada.

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