As nacionalizações em Portugal, após o 25 de abril, tiveram um impacto decisivo na economia do país, segundo os economistas António Manzoni e José Félix Ribeiro. No seu livro “A grande transição da economia portuguesa: do império para a União Europeia”, os autores analisam como este processo se revelou um “sucesso improvável” em tempos de grandes convulsões sociais e políticas.
A transição para a democracia em Portugal, marcada por uma inflação elevada e o retorno de emigrantes, foi um desafio. Manzoni questiona como o país conseguiu encontrar um caminho racional em meio ao caos. Ele defende que as nacionalizações foram fundamentais para estabilizar a economia, muito além das ideologias políticas do período.
Antes de se chegar a este ponto, é importante entender o contexto económico da época. O regime de Marcelo Caetano tentava modernizar a economia, mas a crise internacional do petróleo em 1973 complicou a situação. Com o aumento dos preços do petróleo, muitos projetos industriais, como a construção de petroleiros e refinarias, tornaram-se inviáveis. A economia portuguesa, que parecia estar a prosperar nos anos 60, enfrentou uma dura realidade com a recessão que se seguiu.
Os anos 70 foram difíceis, com a dívida privada a aumentar e a fuga de capitais a dificultar a gestão económica. No entanto, as nacionalizações, que eram inicialmente vistas como uma medida ideológica, acabaram por ser essenciais para evitar uma destruição massiva de empregos. Muitas das empresas nacionalizadas conseguiram, posteriormente, tornar-se viáveis e foram privatizadas, após uma desvalorização da moeda que ajudou a reequilibrar a economia.
Outro fator importante foi a inflação. Portugal optou por uma política de inflação interna, o que, apesar de parecer contraditório, ajudou a acelerar a recuperação económica. Este fenómeno permitiu um ajuste mais rápido e profundo numa economia em colapso, promovendo o empreendedorismo e a inovação.
As nacionalizações e a intervenção do Estado foram cruciais para a criação de um ambiente propício ao crescimento. O retorno dos emigrantes também contribuiu para a dinamização da economia, com a criação de pequenos negócios que se tornaram fundamentais. A combinação destes fatores permitiu a Portugal tornar-se uma economia moderna, com base em serviços e comércio.
Os autores concluem que, apesar de o 25 de abril ter sido uma “revolução de austeridade”, muitos beneficiaram com as mudanças. O modelo económico que emergiu foi único e fundamental para a transformação do país. As nacionalizações, portanto, não foram apenas uma questão ideológica, mas uma estratégia vital para a recuperação e modernização da economia portuguesa.
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Fonte: Sapo





