O setor segurador está a passar por uma transformação significativa, impulsionada pela instabilidade geopolítica e económica, bem como pelo aumento da frequência e severidade de catástrofes naturais. Em 2026, as seguradoras deverão adaptar-se a novas realidades, considerando a evolução tecnológica e as expectativas dos consumidores, que se tornaram cada vez mais exigentes.
A Inteligência Artificial (IA) já faz parte do dia-a-dia das seguradoras. António Castro, CEO da Frank, uma insurtech portuguesa, destaca que a IA está a ser aplicada em três dimensões: generativa, preditiva e agentes inteligentes. Estes avanços permitem que as seguradoras processem grandes volumes de dados, otimizando a oferta de seguros e a definição de prémios. A automatização de processos, segundo Castro, não só aumenta a eficiência como também melhora a satisfação dos clientes.
A Deloitte prevê que a implementação de análises de fraude em tempo real, impulsionadas por IA, poderá resultar em economias significativas para as seguradoras. Estima-se que as seguradoras de Propriedade e Danos possam poupar até 160 mil milhões de dólares até 2032. A Zurich é um exemplo de empresa que já está a utilizar tecnologias de IA para identificar fraudes em pedidos de indemnização.
Além da IA, o setor segurador enfrenta novos e antigos riscos. O CRO Forum, composto por gestores de risco de várias seguradoras multinacionais, identificou riscos emergentes como as alterações climáticas, cibersegurança e conflitos geopolíticos. As seguradoras estão a desenvolver soluções para mitigar esses riscos, incluindo a integração de ciberseguros nas suas ofertas. Gonçalo Baptista, da Innovarisk, sublinha que, apesar do crescimento destes seguros, a sua penetração em Portugal ainda é baixa.
Uma questão premente é a criação de um fundo contra catástrofes naturais em Portugal. José Galamba de Oliveira, presidente da APS, defende que a implementação deste fundo requer um esforço conjunto entre seguradoras e o Estado, para assegurar a proteção financeira contra catástrofes. Luís Menezes, do Grupo Ageas, critica a falta de vontade política para avançar com esta medida.
A regulação também desempenha um papel crucial no futuro do setor segurador. As exigências legais, como a Solvência II, estão a aumentar e representam um desafio significativo para as seguradoras. Gabriel Bernardino, da ASF, anunciou a simplificação regulatória como um objetivo estratégico, prometendo analisar a necessidade de requisitos que vão além da base europeia.
Com a pressão regulatória, a transição climática e a revolução digital, o setor segurador entra em 2026 num momento decisivo. A capacidade de inovar e adaptar-se será fundamental para determinar quais empresas sairão mais fortes desta fase de disrupção. Leia também: O impacto da IA nas indústrias tradicionais.
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Fonte: ECO





