O presidente do parlamento do Irão, Mohammad Bagher Qalibaf, fez declarações alarmantes ao afirmar que os militares dos Estados Unidos e de Israel se tornarão “alvos legítimos” caso haja um ataque por parte de Washington. Esta é a primeira vez que Israel é mencionado como um possível alvo de retaliação iraniana, o que eleva a tensão na região.
Durante uma sessão do parlamento, que foi transmitida em direto pela televisão estatal, Qalibaf, um político da linha-dura que já se candidatou à presidência, fez um discurso inflamado. Enquanto os deputados gritavam “Morte à América!”, ele elogiou as forças de segurança do Irão, incluindo a Guarda Revolucionária e os voluntários Basij, por terem mantido a ordem durante os recentes protestos contra o regime.
“O povo do Irão deve saber que lidaremos com eles da forma mais severa e puniremos aqueles que forem detidos”, afirmou Qalibaf, reforçando a sua posição em relação a uma possível retaliação. Ele dirigiu ameaças específicas a Israel, referindo-se ao país como “o território ocupado”, e às forças armadas dos EUA, afirmando que, em caso de um ataque, “tanto o território ocupado como todos os centros militares, bases e navios americanos na região serão nossos alvos legítimos”.
A seriedade das ameaças do Irão é incerta, especialmente considerando que o país sofreu danos significativos nas suas defesas aéreas durante um conflito de 12 dias com Israel em junho. Qualquer decisão sobre uma ação militar caberia ao líder supremo do Irão, o Ayatollah Ali Khamenei, que tem 86 anos.
As forças armadas dos EUA, por sua vez, afirmaram que estão preparadas no Médio Oriente, com capacidades de combate que visam proteger os seus interesses e aliados na região. A situação é ainda mais complexa com os protestos que têm ocorrido no Irão, onde, segundo a Agência de Notícias dos Ativistas pelos Direitos Humanos (HDRANA), pelo menos 116 pessoas já perderam a vida. As manifestações, que começaram a 28 de dezembro, inicialmente contra o aumento do custo de vida e a inflação, evoluíram para uma contestação política mais ampla ao regime.
Com a Internet e as comunicações cortadas, a avaliação da situação no terreno torna-se difícil, mas a HDRANA reporta que cerca de 2.600 pessoas foram detidas. O ex-presidente dos EUA, Donald Trump, manifestou apoio aos manifestantes, afirmando que “o Irão está a caminhar para a liberdade” e que os EUA estão prontos para ajudar.
Recentemente, o New York Times e o Wall Street Journal relataram que Trump recebeu opções militares para um ataque ao Irão, mas ainda não tomou uma decisão definitiva. A escalada de tensões entre o Irão e os EUA pode ter repercussões significativas não só na política regional, mas também na economia global.
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Fonte: Sapo





