A guerra invisível do talento e a geopolítica do século XXI

No atual panorama económico, o capital humano é considerado o ativo mais valioso tanto para organizações como para nações. A mobilidade do talento tornou-se um fator crucial, com países, regiões e cidades a competirem ferozmente para atrair profissionais qualificados. Esta dinâmica é influenciada por uma série de fatores geográficos e políticos que moldam as tendências de migração e definem os “vencedores” e “vencidos” nesta competição global.

A atratividade no mercado de talento é impulsionada por um ambiente económico vibrante, qualidade de vida e estabilidade política. Nações com economias robustas, indústrias inovadoras e ecossistemas de investigação bem sustentados são mais propensas a atrair os melhores profissionais. Exemplos clássicos incluem os Estados Unidos, que beneficiam de universidades de renome, uma cultura de startups e um ecossistema financeiro que apoia a inovação. Outros países, como Canadá, Austrália e Alemanha, também se destacam pela sua educação estruturada e políticas de imigração favoráveis.

Singapura, por sua vez, tem-se afirmado como um centro de talento no sudeste asiático, atraindo profissionais com um estilo de vida elevado e um contexto sociocultural favorável. Cidades como Londres, Berlim e Dubai, que oferecem segurança e acesso a uma rica oferta cultural, tornam-se verdadeiros “ímãs” para talentos globais. Além disso, políticas que promovem o equilíbrio entre vida pessoal e profissional, como horários flexíveis e cuidados de saúde abrangentes, aumentam ainda mais o apelo de uma região.

A mobilidade do talento tem vindo a aumentar, impulsionada por avanços tecnológicos, educação internacional e a ascensão do trabalho remoto, especialmente após a pandemia. Os profissionais têm agora mais opções do que nunca, muitos buscando oportunidades em países que se alinhem com os seus objetivos de carreira e valores pessoais. Nómadas digitais e trabalhadores de empresas tradicionais podem agora residir num país enquanto trabalham para empregadores em outros.

Leia também  Preços do ouro próximos de máximos históricos após declarações de Powell

Neste contexto, a reputação de um país, as suas políticas de imigração e as relações internacionais afetam diretamente o fluxo de talentos. Nações que adotam políticas de imigração abertas tendem a beneficiar de um “brain gain”, enquanto aquelas com regras restritivas enfrentam o risco de “brain drain”. O Brexit, por exemplo, resultou numa diminuição da migração qualificada para o Reino Unido, devido à incerteza sobre os direitos de trabalho.

Olhando para o futuro, num mundo cada vez mais multipolar e volátil, o talento buscará ambientes seguros e inovadores. A Europa, e Portugal em particular, têm a oportunidade de se afirmar como um polo de atração de talento. Com uma tradição de abertura e investimento em educação, além de proporcionar estabilidade política, a Europa pode destacar-se na economia global do talento.

Para isso, é fundamental que os países europeus façam o seu “trabalho de casa”: reduzir a burocracia, adotar legislações laborais mais flexíveis e aumentar os investimentos em investigação e inovação. Nesta guerra invisível, a geopolítica do talento é essencial, e é crucial que não fiquemos parados num momento de aceleração histórica.

Leia também: O impacto da imigração na economia portuguesa.

mobilidade do talento mobilidade do talento mobilidade do talento Nota: análise relacionada com mobilidade do talento.

Leia também: A importância de questionar as ideias que consumimos diariamente

Fonte: Sapo

Simular quanto pode poupar nos seus seguros!

Não percas as principais notícias e dicas de Poupança

Não enviamos spam! Leia a nossa política de privacidade para mais informações.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Back To Top