Debate sobre pensões destaca desafios na captação de poupanças

A captação de poupanças para investimentos de longo prazo, especialmente para a reforma, foi o foco de um debate que reuniu quatro líderes do setor segurador durante a Conferência da ASF, realizada esta segunda-feira. Isabel Castelo Branco, Presidente do BPI Vida e Pensões, Luís Menezes, CEO do Grupo Ageas Portugal, Pedro Carvalho, CEO da Generali Tranquilidade, e António Noronha, administrador da Fidelidade, discutiram os obstáculos à captação de poupanças em Portugal e propuseram soluções para aumentar a ambição em relação à rentabilidade.

Moderado por Vinay Pranjivan, Economista-Sénior na DECO, o debate abordou a necessidade de transformar a visão da poupança. Isabel Castelo Branco destacou que “a demografia não é compatível com ciclos eleitorais”, referindo-se à insustentabilidade da segurança social pública. Luís Menezes reforçou que este tema é “politicamente tabu”, e António Noronha lembrou que a taxa de substituição das pensões poderá ser apenas de 38% em 2050.

Para resolver esta questão, os intervenientes sugeriram uma nova abordagem à literacia financeira, propondo que se passe a falar em conhecimento financeiro. Esta mudança visa ajudar as pessoas a distinguir entre os diferentes pilares de pensões: o pilar I (segurança social pública), o pilar II (planos e fundos de pensões de empresas) e o pilar III (produtos individuais como PPR e PEPP). António Noronha sublinhou que esta visão de três pilares pode trazer “benefício social” e facilitar a discussão sobre como garantir uma melhor pensão.

Pedro Carvalho alertou para a existência de produtos com rendimentos baixos ou até negativos, o que pressiona os gestores de ativos e as redes comerciais. “Temos de dar as ferramentas aos bancos e agentes para que consigam vender produtos de longo prazo”, afirmou. Luís Menezes concordou, destacando que a confiança é essencial e que “incentivos estáveis” são necessários para quem deseja investir a longo prazo.

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Os participantes concordaram que é crucial mudar a mentalidade em relação ao longo prazo, que muitas vezes é confundido com um somatório de curtos prazos. Isabel Castelo Branco enfatizou que as pessoas estão a viver mais anos após a reforma, e que é necessário oferecer produtos que respondam a essa realidade. “Temos procura por capital garantido”, disse Pedro Carvalho, referindo-se à taxa liberatória de 28% que não favorece a rentabilidade.

Investir no longo prazo foi amplamente aceito como uma necessidade, mas para isso é fundamental que a rentabilidade dos produtos seguradores seja avaliada em períodos mais longos. Luís Menezes afirmou que “pensar em produtos a 5 anos” não é suficiente para canalizar poupanças para investimentos produtivos.

A revisão das normas Solvência II foi considerada decisiva para revitalizar o investimento e a economia europeia. António Noronha sugeriu que os investidores não deveriam ser penalizados por investirem a longo prazo e propôs um alívio das “cargas de reservas de capital” para investimentos de segurança.

Os incentivos fiscais foram destacados como fundamentais para a captação de poupanças. Luís Menezes afirmou que “sem incentivos não conheço nenhum país com sucesso na captação de poupanças”. Isabel Castelo Branco concordou, defendendo que a poupança para a reforma deve ser tangível e compreensível, sugerindo um sistema de acompanhamento das pensões que permita às pessoas visualizar os rendimentos esperados na reforma.

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Fonte: ECO

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