Participação nas eleições presidenciais em Portugal continua a cair

A participação eleitoral nas eleições presidenciais em Portugal tem vindo a registar um declínio acentuado desde a década de 1990, conforme revela um estudo da Fundação Francisco Manuel dos Santos, realizado pelos investigadores João Cancela e José Santana Pereira. Este estudo, intitulado “Abstenção Eleitoral em Portugal: Mecanismos, Impactos e Soluções”, analisa os padrões de participação dos cidadãos neste tipo de escrutínio.

Desde as primeiras eleições presidenciais, em 1976, a participação oficial variou entre 75% e 84%. No entanto, entre 1991 e 2021, o máximo de participação foi de 66%, em 1996, enquanto 2021 marcou um mínimo histórico de apenas 39%. É importante notar que as taxas de participação não refletem com precisão a realidade, uma vez que a Revisão Constitucional de 1997 permitiu que cidadãos residentes no estrangeiro votassem, mas não resultou num aumento proporcional de votantes.

Em 2021, a taxa de participação global foi de 39%, mas a participação entre os recenseados em território nacional foi mais elevada, situando-se nos 45%. Se descontarmos os eleitores que, embora recenseados, vivem no estrangeiro, a estimativa de participação real sobe para 51%.

As causas para esta diminuição da participação eleitoral são variadas. A competitividade percebida do ato eleitoral desempenha um papel crucial. Quando o Presidente da República em funções não se recandidata, a mobilização tende a ser maior. Por outro lado, em contextos de recandidatura, especialmente quando a vitória do candidato favorito é antecipada, as taxas de abstenção aumentam. Este fenómeno foi ainda mais acentuado em 2021, devido ao contexto pandémico que dificultou a participação.

Um dado interessante do estudo é que apenas 9% dos inquiridos consideram as presidenciais como as eleições com maior impacto na sua vida. Esta percepção é mais comum entre os abstencionistas e votantes intermitentes, enquanto os eleitores assíduos tendem a valorizar mais as eleições legislativas.

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A participação eleitoral em presidenciais também varia consoante a localização geográfica. Nas áreas urbanas e no litoral, a participação é geralmente mais elevada, enquanto no interior e nas Regiões Autónomas, como os Açores, os níveis de participação são mais baixos. Além disso, os eleitores mais jovens apresentam taxas de participação significativamente inferiores, ao passo que os eleitores com 66 anos ou mais tendem a votar com mais regularidade.

Outro fator a considerar é a classe social. Eleitores de classes sociais mais baixas e aqueles sem diploma superior tendem a votar menos. Curiosamente, as diferenças de participação por género são mínimas. A distância até ao local de voto também influencia a participação: 79% dos eleitores que residem a menos de 5 minutos das urnas afirmam votar sempre, enquanto essa percentagem cai para 46% entre aqueles que vivem a mais de 30 minutos de distância.

Leia também: O impacto da abstenção nas eleições em Portugal.

participação eleitoral participação eleitoral Nota: análise relacionada com participação eleitoral.

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Fonte: Sapo

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