Pedro Gomes Santos, CEO da Inetum Portugal, partilha a sua visão sobre liderança e a importância das pessoas no setor tecnológico. Seguidor do conceito japonês Ikigai, Gomes Santos acredita que o propósito da vida e da carreira está intrinsecamente ligado ao valor das relações humanas. Desde cedo, desenvolveu o hábito de interagir com pessoas mais velhas, o que moldou a sua perspetiva profissional. “O meu Ikigai são as pessoas. Essa tem sido a minha principal bússola profissional e pessoal desde pequeno”, afirma.
A sua trajetória levou-o a viver 12 anos na América Latina e a passar por experiências que o marcaram, como o choque cultural na Alemanha. Ao regressar a Portugal, Gomes Santos tinha uma certeza: não queria ser apenas um programador. “A tecnologia é importante, mas o que realmente conta são as pessoas que a utilizam”, explica. Essa convicção levou-o a mudar para a consultoria em 2009, num período de crise económica, onde a pressão era elevada.
O momento mais desafiador da sua carreira ocorreu quando foi despedido, um episódio que o deixou profundamente afetado. “Tive vergonha de chegar a casa e dizer que tinha sido despedido”, confessa. Contudo, considera essa experiência uma das maiores lições da sua vida. “Foi o mais importante que me aconteceu na vida para estar onde estou hoje”, afirma. A reviravolta surgiu quando um antigo chefe o convidou a integrar operações na América Latina, onde passou mais uma década a aprender sobre responsabilidade e a importância das pessoas nas empresas.
Para Gomes Santos, a liderança é sinónimo de confiança. Um ensinamento do avô, “Nunca decepciones quem confia em ti”, permanece presente na sua abordagem. Ele reconhece que liderar implica tomar decisões difíceis, mas é essa exigência que o motiva. “As decisões exigem coragem e expõem as tuas próprias vulnerabilidades”, diz.
À frente da Inetum Portugal, onde lidera mais de 2200 colaboradores, Gomes Santos acredita que ninguém lidera sozinho. “Tens de ter uma grande equipa contigo”, sublinha. A confiança na sua equipa é fundamental, e ele critica o teletrabalho por retirar a interação pessoal que considera essencial para a liderança. “Um líder tem que estar ao lado das suas pessoas”, defende.
Após tantos anos fora, Gomes Santos admite que ainda se está a reintegrar em Portugal. Reconhece tanto qualidades como fragilidades na cultura portuguesa, mas elogia a qualidade dos profissionais nacionais. O grande desafio para a liderança, segundo ele, é atrair e desenvolver talento num setor em constante evolução. “A comunicação clara é uma das chaves da liderança”, conclui.
Fora do trabalho, encontra equilíbrio na pintura, no desporto e na convicção de que sempre há tempo para o que realmente importa. Para o futuro, imagina uma vida mais simples, centrada nas pessoas. “Gostava muito de me reformar cedo e ter o meu projeto de vida, o meu outro Ikigai”, revela.
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Fonte: ECO





