O Governo português manifestou a sua atenção às negociações em curso sobre a refinaria de Sines, considerada um ativo estratégico para a soberania energética do país. A informação foi divulgada pelo Ministério da Economia, que confirmou o início das conversações entre a Galp e a Moeve, visando a fusão das suas redes de postos de combustível em Portugal e Espanha, bem como das suas unidades de refinação e petroquímicas.
A refinaria de Sines desempenha um papel crucial, abastecendo 90% dos combustíveis consumidos em Portugal. Além disso, é a maior empresa exportadora do país, o que a torna ainda mais relevante para a independência energética nacional. O Estado português detém 8,2% da Galp, através da Parpública, o que reforça o interesse do Governo nas negociações.
A fusão entre a Galp e a Moeve resultará numa nova empresa com 3.500 postos de abastecimento em ambos os países, detida em partes iguais por ambas as companhias. A unidade industrial, por sua vez, será controlada em 20% pela Galp e em 80% pela Moeve, com uma capacidade de processamento de 700 mil barris diários de petróleo e combustíveis. Este movimento poderá gerar receitas superiores a 2,8 mil milhões de euros por ano.
A ministra do Ambiente e da Energia, Maria da Graça Carvalho, expressou otimismo em relação ao negócio, sublinhando que a Galp passará a ter influência sobre três refinarias, incluindo as de Huelva e Cádiz, na Espanha. A governante defendeu que, embora a Galp mantenha uma participação minoritária na refinaria de Sines, a fusão permitirá uma maior capacidade de investimento e criação de emprego.
A questão da soberania energética foi levantada, especialmente pelo PCP, que questionou o Governo sobre os impactos da transferência de ativos estratégicos para o capital estrangeiro. A ministra rejeitou a ideia de que a soberania energética do país esteja em risco, defendendo que um mercado aberto traz mais benefícios.
A fusão entre a Galp e a Moeve também visa criar um grupo forte no setor da refinação, que atualmente enfrenta uma redução significativa do número de refinarias na Europa. A nova empresa, chamada RetailCo, competirá diretamente com a Repsol, que lidera o mercado em Espanha.
A Galp, que já lidera em Portugal, verá a sua quota de mercado aumentar, enquanto a nova estrutura permitirá uma resposta mais robusta à concorrência. A fusão é vista como uma oportunidade para fortalecer a posição da Galp no mercado ibérico e europeu.
A importância da refinaria de Sines não pode ser subestimada, especialmente num contexto de transição energética e descarbonização. O investimento em combustíveis sustentáveis, como os biocombustíveis e combustíveis para aviação de baixo carbono, é uma prioridade para a Galp, que procura alinhar-se com as exigências ambientais atuais.
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refinaria de Sines Nota: análise relacionada com refinaria de Sines.
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Fonte: Sapo





