O “Global Risks Report 2026”, publicado pelo Fórum Económico Mundial, destaca que os riscos climáticos e tecnológicos são as principais preocupações das empresas para o futuro. O estudo, que contou com a participação de várias empresas, revela que cerca de 50% dos inquiridos prevêem um cenário global instável nos próximos dois anos. Este número sobe para 57% quando se analisa um horizonte de dez anos, refletindo a crescente gravidade dos riscos climáticos.
Os cinco principais riscos identificados para 2026 incluem o confronto geoeconómico, conflitos armados entre estados, eventos climáticos extremos, polarização social e desinformação. A polarização social e a desinformação, em particular, têm ganhado destaque, ocupando agora o terceiro e segundo lugar, respetivamente. Andrew George, da Marsh Risk, sublinha que “as divisões sociais estão no cerne dos riscos que enfrentamos, desde a desigualdade até ao declínio da saúde pública”.
Além dos riscos climáticos, os riscos económicos também estão a aumentar. O receio de uma recessão económica e o crescimento da inflação subiram significativamente nas classificações, refletindo a preocupação das empresas com a instabilidade económica. A tecnologia, embora ofereça novas oportunidades, também levanta questões sobre o impacto no mercado de trabalho e o desenvolvimento de armamento autónomo, contribuindo para a instabilidade geopolítica.
Curiosamente, as preocupações ambientais parecem estar a perder peso. A União Europeia adiou a implementação de algumas medidas para uma economia mais verde, e muitos riscos ambientais caíram nas classificações. Por exemplo, os fenómenos meteorológicos extremos desceram do segundo para o quarto lugar.
Peter Giger, do grupo Zurich, alerta para a negligência em relação às infraestruturas críticas, que ocupam apenas o 23.º lugar entre os riscos globais. Ele afirma que “dependemos de sistemas que estão mal preparados e subfinanciados”, o que coloca tudo em risco quando as infraestruturas falham.
A longo prazo, o relatório aponta para uma intensificação da concorrência global, com os países a priorizarem os interesses nacionais em detrimento da ação coletiva. Alison Martin, da Zurich, destaca que os líderes empresariais estão preocupados com questões como pensões e saúde pública, que afetam o bem-estar da força de trabalho e a estabilidade social. “Se não agirmos com urgência, corremos o risco de ignorar ameaças que podem definir o nosso futuro”, alerta.
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A Marsh e o Zurich Insurance Group são entidades reconhecidas nas áreas de riscos e seguros, com uma presença significativa em Portugal e no mundo. As suas análises e relatórios são fundamentais para entender os desafios que as empresas enfrentarão nos próximos anos.
riscos climáticos riscos climáticos Nota: análise relacionada com riscos climáticos.
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Fonte: ECO





