João Bento, o atual CEO dos CTT, revelou em entrevista ao Jornal de Negócios que a maioria dos acionistas está a pressionar para a venda do Banco CTT. Segundo Bento, cerca de nove em cada dez acionistas não desejam que a instituição financeira permaneça no grupo, considerando que a sua presença prejudica a cotação das ações da empresa.
O gestor, que deixará o cargo em abril, explicou que a pressão para diluir a participação no Banco CTT é significativa. “Sabemos que somos prejudicados na cotação por esta ideia de ‘Conglomerate Effect Discount'”, afirmou. Bento sublinhou que a visão futura dos CTT é a de se tornarem um operador logístico de comércio eletrónico, o que implica que a importância do banco no portefólio deve ser reduzida.
Ele acrescentou que, no limite, a empresa poderá ficar com uma participação minoritária no Banco CTT, o que significaria que deixariam de consolidar os resultados da instituição. “A Generali, como acionista, tem direitos que lhe conferem uma posição muito confortável neste processo”, disse João Bento, referindo-se à entrada da seguradora no capital do banco em novembro de 2024, após um investimento de 25 milhões de euros.
Com a chegada de Francisco Barbeira à liderança do Banco CTT, foi refeito o plano de médio prazo, que agora é mais ambicioso. Bento acredita que o banco vai crescer mais do que o previsto e que os objetivos estão claramente definidos. “Temos hoje mais de 800 mil clientes e o nosso foco é aumentar o volume médio de negócios com eles”, afirmou.
O CEO também mencionou que os próximos dois anos serão de intenso investimento e aumento de custos para o banco. Relativamente aos certificados de aforro, Bento criticou as recentes alterações do Governo, que tornaram os produtos menos atrativos para os investidores. “As novas regras criaram uma série F que tornou os certificados completamente não atrativos”, concluiu.
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Banco CTT Nota: análise relacionada com Banco CTT.
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Fonte: Sapo





