A Comissão Europeia anunciou um pacote de apoio financeiro à Ucrânia que se estenderá pelos próximos dois anos, totalizando 90 mil milhões de euros em empréstimos sem juros. No entanto, este apoio terá um custo significativo para os contribuintes europeus, estimando-se que entre 3 mil milhões e 4 mil milhões de euros sejam pagos anualmente a partir de 2028.
Este financiamento será obtido através da emissão de dívida conjunta nos mercados internacionais, com garantias do orçamento comunitário. A operação envolve 24 dos 27 Estados-membros da União Europeia, com a Hungria, Chéquia e Eslováquia a ficarem de fora. A Ucrânia enfrenta um momento crítico, prevendo-se que esgote os seus recursos em abril e necessite de 135,7 mil milhões de euros até ao final de 2027, segundo dados da Comissão Europeia.
Dos 90 mil milhões de euros, 60 mil milhões destinam-se a assistência militar, enquanto os restantes 30 mil milhões serão utilizados para o funcionamento do Estado ucraniano, incluindo salários e serviços básicos. Este é o maior apoio financeiro de emergência da União Europeia a um país terceiro e cobre dois terços das necessidades da Ucrânia para os anos de 2026 e 2027, com o Fundo Monetário Internacional e parceiros do G7 a assumirem o restante.
Com a redução do apoio militar e financeiro dos EUA, a União Europeia posiciona-se como o principal garante da sobrevivência económica e militar da Ucrânia. Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, afirmou que “todos queremos paz para a Ucrânia” e que é fundamental que o país esteja “numa posição de força – no campo de batalha e na mesa de negociações”.
Um dos pontos mais controversos do pacote é a forma como a Ucrânia deve adquirir armamento. A Comissão Europeia introduziu o “princípio em cascata”, que prioriza a compra de equipamentos fabricados na Europa, na Ucrânia ou em países como Noruega, Islândia e Liechtenstein. Apenas em situações de urgência ou quando os produtos não estão disponíveis na Europa, Kiev poderá recorrer a fornecedores externos, como os EUA.
A União Europeia também se reservou o direito de utilizar os ativos russos congelados na Europa para reembolsar o empréstimo à Ucrânia. Valdis Dombrovskis, comissário europeu para a Economia, sublinhou que “apoiar a Ucrânia é um teste decisivo para a Europa” e que o resultado da guerra determinará o futuro do continente.
O apoio financeiro está condicionado à implementação de reformas por parte da Ucrânia nas áreas do Estado de direito e combate à corrupção. O desembolso do dinheiro será feito através do Ukraine Facility, um mecanismo criado em 2023 para canalizar o apoio da União Europeia.
Com a aprovação dos documentos, o Parlamento Europeu e o Conselho terão de agir rapidamente para garantir que o primeiro pagamento ocorra em abril. Sem a aprovação até ao final de fevereiro ou início de março, a Ucrânia poderá enfrentar dificuldades financeiras que comprometerão a sua capacidade de continuar a guerra e manter o Estado em funcionamento.
Desde o início da invasão russa em 2022, a União Europeia já forneceu mais de 193 mil milhões de euros em apoio à Ucrânia, mais do que qualquer outro parceiro internacional. A incerteza em relação ao apoio americano e o aumento dos ataques russos tornam os próximos meses cruciais para a sobrevivência da Ucrânia, tanto no campo de batalha como nas futuras negociações de paz.
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Fonte: ECO





