Os motoristas de TVDE (transporte individual e remunerado de passageiros em veículos descaracterizados a partir de plataforma eletrónica) vão realizar uma ação de protesto na próxima semana, desligando as aplicações das plataformas Uber e Bolt de forma alternada durante as horas de ponta matinais. A iniciativa, promovida pelo Movimento Cívico Somos TVDE, visa chamar a atenção para a falta de regulação do setor.
O protesto terá início na próxima segunda-feira e decorrerá até 24 de janeiro, entre as 07:00 e as 10:00. Os motoristas desligarão a aplicação da Uber nas segundas, quartas e sextas-feiras, enquanto a Bolt será desligada nas terças, quintas e sábados. Fernando Vilhais, coordenador do Movimento, esclareceu que os motoristas poderão continuar a trabalhar, mas a ação pretende evidenciar a precariedade em que se encontram.
Com o lema “STOP: Uber/Bolt – Sem motoristas, não há viagens!”, o protesto abrangerá todo o país, mas as maiores perturbações são esperadas nas áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto, onde a concentração de motoristas é maior. Vilhais sublinhou que esta ação não implica uma paralisação total do serviço de TVDE, mas sim uma chamada de atenção para a situação do setor.
Os representantes do Movimento Cívico Somos TVDE acusam as plataformas de atuarem de forma a prejudicar os motoristas. Vilhais afirmou que as empresas têm a capacidade de reduzir preços sistematicamente para aumentar a sua quota de mercado, o que resulta em rendimentos cada vez mais baixos para os motoristas. “Enquanto este modelo estiver em vigor, os rendimentos vão ser sempre reduzidos”, alertou.
Além disso, o coordenador do movimento destacou que as plataformas garantem apenas 25% do valor das viagens, independentemente do preço de mercado. Os motoristas, que investem nas suas viaturas e contratam serviços, sentem-se pressionados pelas regras impostas pelas plataformas. “Isso não é permitido por lei”, denunciou Vilhais, apelando à necessidade urgente de rever a legislação em vigor na Assembleia da República.
O objetivo do protesto é mostrar que as plataformas não podem atuar sem responsabilidade e impor regras de forma unilateral. Os motoristas, ao desligarem alternadamente as aplicações, pretendem proteger os trabalhadores que se encontram em situações vulneráveis e garantir a continuidade do serviço aos clientes.
Fernando Vilhais frisou que o protesto é acessível a todos os motoristas, que têm autonomia para escolher a plataforma com que trabalham. O movimento apela a um critério coletivo durante a ação, como um grito de alerta contra a precariedade laboral, exigindo condições dignas de trabalho e uma regulação mais justa que equilibre os interesses de todos os envolvidos.
Esta será a primeira ação de protesto do Movimento Cívico Somos TVDE, criado em outubro de 2025, que procura unir todos os motoristas de TVDE, especialmente os 80% que trabalham de forma independente. O movimento não pretende constituir-se como uma nova associação, mas sim complementar as já existentes, como a APTAD e a ANM-TVDE, para que a causa comum ganhe maior visibilidade na sociedade.
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Fonte: ECO





