Portugal está a viver um momento paradoxal: por um lado, a taxa de desemprego caiu para 5,8% no terceiro trimestre de 2025, com um número recorde de 5,33 milhões de pessoas empregadas. Por outro lado, a escassez de mão de obra está a limitar o crescimento económico e a criar um cenário de oportunidades perdidas. Este fenómeno tem raízes profundas e a tendência parece estar a agravar-se.
Nos últimos anos, a imigração tem sido um motor essencial para o crescimento do país. Contudo, em 2024, o número de entradas permanentes de imigrantes caiu 2%, totalizando apenas 138 mil, em contraste com 177.557 saídas. Este declínio é preocupante, especialmente considerando que, apenas no primeiro semestre de 2025, mais de nove mil estrangeiros foram notificados para deixar o país. A nova Lei da Nacionalidade poderá estar a contribuir para esta situação, criando um ambiente menos acolhedor para os imigrantes.
O crescimento do PIB português, que tem superado a média da União Europeia, está intimamente ligado à presença de trabalhadores estrangeiros. Em 2024, Portugal contava com 302 mil trabalhadores imigrantes, especialmente em setores críticos como a agricultura, hotelaria e construção. Sem esta mão de obra, áreas fundamentais da economia enfrentariam sérios riscos, desde a paragem da agricultura até o colapso da construção civil. A saúde também seria afetada, com a falta de auxiliares essenciais nos hospitais e clínicas.
A resposta do governo à escassez de mão de obra tem sido alvo de críticas. António Costa e o seu executivo foram acusados de ignorar a necessidade urgente de regular os fluxos migratórios, criando um vazio que o atual governo se vê obrigado a preencher. A falta de uma política clara e eficaz tem gerado um clima hostil que, em vez de atrair trabalhadores, afasta-os.
A Associação Empresarial de Portugal (AEP) já alertou para a gravidade da situação. É essencial encontrar um equilíbrio que permita integrar os imigrantes, mas a escassez de mão de obra é um constrangimento produtivo que não pode ser ignorado. A política partidária, muitas vezes superficial e refém do populismo, está a comprometer o desenvolvimento económico do país.
A realidade é clara: Portugal precisa de uma estratégia que promova a inclusão de imigrantes e que reconheça a sua importância para a economia. Sem uma abordagem construtiva, o país poderá enfrentar dificuldades ainda maiores no futuro. Leia também: O impacto da imigração no mercado de trabalho em Portugal.
mão de obra Nota: análise relacionada com mão de obra.
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Fonte: Sapo





