A crescente preocupação com a segurança das telecomunicações na Europa tem vindo a ser destacada, especialmente após incidentes como a sabotagem de cabos submarinos e ciberataques. A Vodafone, em um relatório intitulado “Conectividade Segura: O novo pilar estratégico da defesa europeia”, sublinha a importância das telecomunicações como uma infraestrutura crítica. Carlos Correia, responsável pela área jurídica e assuntos externos da Vodafone Portugal, enfatiza que a conectividade é vital para diversos setores, incluindo hospitais, redes energéticas e sistemas de defesa nacional.
O relatório foi divulgado dias antes da apresentação do Digital Networks Act (DNA), que promete reformular o ambiente regulatório das telecomunicações. Correia destaca que a incerteza em relação ao uso do espectro pode desincentivar os operadores a investir em redes mais resilientes. “Licenças ilimitadas ou mais prolongadas garantem previsibilidade e viabilizam investimentos contínuos”, afirma.
Atualmente, as telecomunicações em Portugal não são reconhecidas como infraestrutura crítica, o que, segundo Correia, é um erro. Ele defende que, em situações de emergência, as comunicações devem ser priorizadas na reposição de energia. “O ‘Apagão’ evidenciou a necessidade de que as telecomunicações sejam tratadas como uma entidade crítica pelos fornecedores de energia”, afirma.
A Alta Representante da União Europeia para os Negócios Estrangeiros, Kaja Kallas, também alertou sobre o alto risco de sabotagem das infraestruturas críticas na Europa. Com a crescente complexidade do cenário geopolítico, a resiliência das telecomunicações torna-se ainda mais urgente. Correia sugere que a diversificação das rotas de comunicação pode minimizar os impactos de eventuais falhas.
Para garantir a resiliência das redes, é necessário um ambiente regulatório que favoreça investimentos a longo prazo. “As preocupações regulatórias de curto prazo dificultam a implementação de projetos que assegurem a resiliência”, explica. O montante necessário para esses investimentos ainda não foi estimado, mas é claro que um ambiente competitivo e regulatório adequado é fundamental para a sua execução.
O Digital Networks Act (DNA) pode ser uma oportunidade para corrigir desequilíbrios e estabelecer regras equitativas para as telecomunicações na Europa. A previsão de direitos de espectro ilimitados pode facilitar a operação das empresas e garantir um serviço de qualidade. “Se as condições forem adequadas, os operadores estarão mais dispostos a investir”, conclui Correia.
A necessidade de reconhecer as telecomunicações como infraestrutura crítica é um tema debatido não apenas pela Vodafone, mas por todo o setor. A urgência em simplificar processos burocráticos para reparações e intervenções é um ponto crucial para garantir a continuidade dos serviços. “A ausência desse reconhecimento torna a nossa rede mais vulnerável e dificulta a sua reposição”, alerta Correia.
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infraestrutura crítica infraestrutura crítica Nota: análise relacionada com infraestrutura crítica.
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Fonte: ECO





