O ministro da Agricultura, José Manuel Fernandes, afirmou em Berlim que o acordo assinado entre a União Europeia (UE) e o Mercosul representa uma “oportunidade para Portugal”. Durante uma conferência sobre o futuro da alimentação e da agricultura, o ministro enfatizou a necessidade de o país se preparar para explorar este novo mercado, que abrange 270 milhões de pessoas, das quais 212 milhões falam português, principalmente no Brasil.
“Temos produtos como azeite, queijos, vinhos, frutas e legumes que podem ser muito bem recebidos neste mercado. Este acordo também traz estabilidade e previsibilidade para os nossos agricultores”, sublinhou Fernandes. O acordo, que demorou mais de 25 anos a ser negociado, cria a maior zona de livre comércio do mundo, num contexto de crescente protecionismo global.
O ministro destacou a importância das cláusulas de salvaguarda, que, segundo ele, oferecem mais proteção aos agricultores do que a ausência do acordo. “É fundamental que as cláusulas sejam compreendidas e que os agricultores se sintam seguros com este novo cenário”, acrescentou.
José Manuel Fernandes participou no Fórum Global para a Alimentação e a Agricultura (GFFA), onde abordou a gestão da água como um elemento crucial para a competitividade e sustentabilidade do setor agrícola. “Temos um plano nacional, ‘Água que Une’, que se estende até 2040 e que requer financiamento para garantir a utilização eficiente dos nossos recursos hídricos”, afirmou.
O ministro também mencionou o investimento no Alqueva como um exemplo positivo, sublinhando que este projeto não só está pago, mas também gera cerca de 330 milhões de euros em impostos anualmente devido à produção agrícola. “O investimento deve ser visto como uma mais-valia e não como um custo”, reforçou.
Além disso, José Manuel Fernandes visitou cinco empresas portuguesas que estão a participar na “Semana Verde” de Berlim, um evento que celebra 100 anos e que reúne milhares de visitantes. O ministro considerou a presença de Portugal nesta feira como positiva, mas alertou para o potencial ainda não explorado das empresas portuguesas.
A “Grüne Woche” também foi marcada por uma manifestação em Berlim, onde cerca de 5.000 pessoas exigiram uma agricultura mais ecológica e maior bem-estar animal. O porta-voz do movimento “Estamos fartos” criticou a política agrícola do governo alemão, afirmando que esta pode comprometer o futuro da agricultura.
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Fonte: Sapo





