Acordo UE-Mercosul: Oportunidades e Desafios para Portugal

O acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul, que será formalizado este sábado, gera um debate aceso sobre os seus efeitos na economia portuguesa. Enquanto os setores do vinho, azeite e queijo veem neste acordo uma oportunidade de expansão, os produtores de carne e arroz expressam preocupações.

Atualmente, o comércio entre Portugal e os países do Mercosul, que inclui Argentina, Brasil, Uruguai e Paraguai, totaliza cerca de 8,5 mil milhões de euros. O Brasil é, de longe, o principal destino das exportações portuguesas, com 981 milhões de euros exportados entre janeiro e novembro de 2025, embora tenha havido uma diminuição em relação ao ano anterior. A Argentina, Uruguai e Paraguai ocupam posições muito mais baixas no ranking de importadores.

Luís Mira, secretário-geral da Confederação dos Agricultores de Portugal, destaca que as oportunidades são evidentes para os produtores de vinho e azeite, uma vez que o acordo prevê a redução de tarifas alfandegárias. Atualmente, as exportações de vinho da União Europeia para o Mercosul enfrentam tarifas que podem chegar a 35%. A redução dessas taxas poderá facilitar a entrada de produtos portugueses, permitindo preços mais competitivos.

O setor do vinho, que já conta com 1.454 exportadoras em Portugal, é um dos grandes beneficiados. Em 2024, o Brasil foi o segundo maior destino das exportações de vinho português, com 80 milhões de euros em vendas. Frederico Falcão, presidente da ViniPortugal, sublinha que o acordo abre portas para regiões como o Alentejo e o Douro, que já têm uma presença significativa no mercado brasileiro.

No entanto, a concorrência será feroz. Países como França e Itália, com uma forte tradição vinícola, também estarão a competir pelo mercado. A eliminação gradual das tarifas, que pode demorar até oito anos, levanta incertezas sobre o impacto imediato nas vendas.

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O setor do azeite também poderá beneficiar do acordo, embora o impacto imediato seja considerado limitado. Em 2024, Portugal exportou 274 milhões de euros em azeite para o Mercosul, com o Brasil a absorver quase a totalidade. Mariana Matos, da Casa do Azeite, alerta que a concorrência de regiões como a Andaluzia poderá ser um desafio.

Por outro lado, o setor metalomecânico vê o acordo como uma oportunidade para reduzir a dependência de mercados como o da China. Rafael Campos Pereira, vice-presidente da AIMMAP, acredita que a aproximação entre a UE e o Mercosul pode fortalecer as cadeias de valor e trazer benefícios para as empresas portuguesas.

Em suma, o acordo UE-Mercosul apresenta tanto oportunidades como desafios para a economia portuguesa. Enquanto alguns setores poderão prosperar, outros enfrentarão uma concorrência acentuada. A implementação do acordo será crucial para determinar o seu impacto a longo prazo.

Leia também: O impacto do acordo UE-Mercosul nas exportações portuguesas.

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Fonte: ECO

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