A CIP – Confederação Empresarial de Portugal celebrou a assinatura do acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul, que ocorreu em Assunção, no Paraguai. Este acordo, que contou com a presença de figuras como Ursula von der Leyen e António Costa, representa uma nova era de comércio livre entre a Europa e a América Latina.
Armindo Monteiro, presidente da CIP, destacou que a criação desta zona de comércio livre é um sinal claro para as empresas portuguesas e europeias: é tempo de investir e aumentar a competitividade. O foco deve ser a diversificação comercial, aproveitando o potencial de crescimento que o acordo UE-Mercosul oferece.
Com a aprovação do acordo, que deverá entrar em vigor em janeiro de 2026, a nova zona de comércio livre reunirá 700 milhões de consumidores e representará 25% das trocas comerciais globais. O PIB combinado da União Europeia e do Mercosul atinge cerca de 20 biliões de euros, colocando-o apenas atrás dos Estados Unidos em termos de volume económico.
Atualmente, as trocas comerciais entre a União Europeia e os países do Mercosul, que incluem Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai, são relativamente baixas, totalizando 111 mil milhões de euros em 2024. Em comparação, as trocas com os Estados Unidos ascenderam a 1,6 biliões de euros. No entanto, a CIP acredita que o potencial de crescimento é enorme, especialmente para as empresas portuguesas.
O acordo prevê a eliminação de tarifas sobre 91% das exportações da União Europeia para o Mercosul ao longo de 15 anos, enquanto a União Europeia eliminará gradualmente tarifas sobre 92% das exportações do Mercosul em até dez anos. Esta mudança é vista como uma oportunidade para revitalizar os mercados, especialmente após um período de arrefecimento económico.
A CIP sublinha que, atualmente, Portugal mantém uma balança comercial desfavorável com o Mercosul, exportando apenas mil milhões de euros e importando 3,5 mil milhões de euros. A confederação acredita que as empresas portuguesas têm as competências necessárias para inverter esta situação, aproveitando a proximidade cultural e linguística com o Brasil, onde vivem cerca de 215 milhões de consumidores que falam português.
Além disso, a CIP vê o acordo como uma oportunidade para acelerar a transição da indústria portuguesa para uma economia mais digital e sustentável. A sustentabilidade e a circularidade são fundamentais para que as empresas possam competir de forma eficaz na América Latina.
A CIP defende que, para que as empresas europeias possam aumentar a sua competitividade, é essencial que existam políticas públicas que apoiem a abertura de novos mercados. O acordo UE-Mercosul é visto como um passo importante nesse sentido.
Leia também: O impacto do comércio internacional na economia portuguesa.
acordo UE-Mercosul acordo UE-Mercosul acordo UE-Mercosul Nota: análise relacionada com acordo UE-Mercosul.
Leia também: Fladgate Partnership: vendas de vinho em tempos de incerteza
Fonte: Sapo





