Crise habitacional em Portugal leva famílias a partilhar casas

A crise da habitação em Portugal tem levado a situações extremas, com famílias a serem forçadas a dividir a mesma casa. Relatos de mães que partilham o quarto com as filhas e de pessoas a viverem com estranhos são cada vez mais comuns, conforme evidenciado por entrevistas realizadas pela Lusa.

Vitória Silva, uma cozinheira de 46 anos, vive em Loures com o namorado e a filha de 14 anos. Para conseguir pagar a renda de 1.200 euros por mês, a família divide o espaço com outra família, situação que já dura quase dois anos. Cada casal paga 600 euros, mas todos os membros trabalham com salários mínimos, o que torna a vida financeira bastante apertada. Vitória expressou a sua frustração: “Preferia ter uma casa minha com a minha família por um preço menor.”

No Porto, Gabriela Gonçalves, também cozinheira e com 43 anos, enfrenta uma realidade semelhante. Com um rendimento de cerca de 900 euros, vive num T1 desde 2021, onde dorme no mesmo quarto que as suas duas filhas adolescentes. A situação é complicada, pois os preços das rendas na cidade variam entre 800 e 900 euros, tornando difícil encontrar uma habitação adequada. O senhorio, compreendendo a sua situação, baixou a renda de 700 euros para 350 euros, mas as condições continuam a ser limitadas.

Maria Vicente, coordenadora nacional da Rede Europeia Anti-Pobreza, confirma que muitos casos como estes existem, especialmente entre famílias monoparentais que lutam para suportar os custos da habitação. As queixas sobre condições precárias, como humidade e falta de espaço, são frequentes. André Escoval, porta-voz do movimento Porta a Porta – Casa para Todos, acrescenta que há famílias a partilhar casas com até seis famílias ou trabalhadores que se veem obrigados a assumir múltiplos empregos para conseguir pagar as rendas.

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Carlos Nunes, de 63 anos, é um exemplo claro desta realidade. Após ter fechado a sua agência de viagens devido à pandemia, vive atualmente em Setúbal, num apartamento partilhado com quatro desconhecidos. O seu salário de segurança, que ronda os 900 euros, não é suficiente para cobrir os altos preços das rendas na região. “É difícil arranjar uma casa com uma renda acessível”, lamenta Carlos.

Os dados mais recentes do Instituto Nacional de Estatística (INE) revelam que as rendas das casas por metro quadrado aumentaram 4,9% em dezembro de 2025 em comparação com o ano anterior, com uma variação média anual de 5,3%. Além disso, o Eurostat indicou que Portugal registou uma subida homóloga de 17,7% nos preços das casas no terceiro trimestre de 2025, um valor alarmante quando comparado com a média da zona euro, que foi de 5,1%.

A crise da habitação é uma realidade que afeta cada vez mais famílias em Portugal, obrigando-as a encontrar soluções criativas para sobreviver. Leia também: O impacto da crise da habitação nas famílias portuguesas.

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Fonte: Sapo

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