Milhares de pessoas reuniram-se hoje no centro de Copenhaga para protestar contra as ameaças do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em relação à Gronelândia. A manifestação culminou em frente à embaixada norte-americana, onde os participantes exigiram que os EUA recuem nas suas pretensões de compra ou controle da ilha.
Este protesto, que faz parte de uma série de manifestações programadas para este sábado na Dinamarca e na Gronelândia, foi organizado por associações gronelandesas. Durante mais de duas horas, os manifestantes entoaram slogans como “a Gronelândia não está à venda” e “tira as mãos da Gronelândia, Trump”, demonstrando a sua oposição às intenções da administração americana.
A marcha teve início na Rådhuspladsen, a praça central de Copenhaga, onde vários representantes da organização se dirigiram aos manifestantes, sublinhando a união entre dinamarqueses e gronelandeses contra as ameaças de Trump. Entre os presentes, estavam políticos dinamarqueses, incluindo membros do governo. A ministra dos impostos dinamarquesa, Ane Halsboe-Jørgensen, afirmou: “Estou aqui para mostrar aos gronelandeses que nós estamos com eles. Não estão sozinhos”.
A ministra também comentou a falta de progresso nas negociações realizadas em Washington, destacando a importância da NATO para enfrentar os desafios geopolíticos atuais. “Concordo que existe uma ameaça real”, disse, referindo-se à argumentação de Trump sobre a necessidade de controlar a Gronelândia para proteger a ilha dos interesses da Rússia e da China. “A Gronelândia é estrategicamente importante, e é por isso que temos permitido a presença de tropas americanas no território”, acrescentou.
Quando questionada sobre a possibilidade de independência da Gronelândia, a ministra reiterou que “são os gronelandeses que devem decidir o futuro da Gronelândia”. Apesar de reconhecer o sucesso do atual modelo de união entre a Dinamarca e a Gronelândia, a ministra deixou claro que a decisão final pertence ao povo gronelandês.
O protesto atraiu muitos residentes da capital dinamarquesa, incluindo gronelandeses, como Anne-Sofie, de 27 anos, que expressou a sua preocupação com a situação. A sua amiga Freja, de 26 anos, partilhou a apreensão, afirmando que “é tudo muito imprevisível”. Charlotte, uma dinamarquesa de 58 anos, descreveu a situação como “um desastre” e expressou a sua frustração com a incerteza que rodeia as decisões de Trump.
A marcha, que levou quase uma hora a chegar à embaixada dos EUA, foi acompanhada por um forte dispositivo policial, incluindo agentes armados e barreiras de segurança. Apesar do aparato, a manifestação decorreu de forma pacífica, sem incidentes conhecidos. A embaixada dos EUA emitiu um aviso aos cidadãos norte-americanos na área, recomendando precauções.
Este protesto é parte de uma série de marchas que ocorreram simultaneamente em várias cidades dinamarquesas, como Aalborg, Aarhus e Odense, além de uma manifestação programada em frente ao consulado dos EUA em Nuuk, na Gronelândia. A intenção de Trump de controlar a Gronelândia, um território autónomo sob administração dinamarquesa, continua a gerar tensões e descontentamento entre os dinamarqueses e gronelandeses.
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Fonte: Sapo





