Impacto do Acordo UE-Mercosul na Agricultura Portuguesa

O acordo entre a União Europeia e o Mercosul levanta muitas questões sobre o que Portugal poderá ganhar ou perder. A incerteza é palpável, e as opiniões divergem entre os agricultores. Pedro Pimenta, um agricultor da região do Mondego, acredita que o sucesso do acordo depende da capacidade industrial e da promoção dos produtos portugueses, especialmente no Brasil, um mercado com 210 milhões de consumidores. “Falamos a mesma língua e temos uma boa relação comercial, o que é uma vantagem competitiva”, afirma.

Pimenta produz leite e carne bovina, setores que podem ser afetados pelo acordo. No entanto, ele considera que a preocupação com a cota de 99 mil toneladas de carne bovina, que representa apenas 1,4% do consumo europeu, é exagerada. “Dividindo isso por 450 milhões de consumidores, dá cerca de 200 gramas por pessoa ao longo de cinco anos”, compara. Apesar de Portugal não ser autossuficiente na produção de carne bovina, Pimenta defende que o impacto será mínimo.

Afonso Nascimento, outro agricultor, tem uma visão diferente. Ele teme que a quantidade de carne proveniente do Mercosul aumente significativamente. “Neste momento, a carne que chega a Portugal é mínima, mas isso pode mudar com o acordo”, alerta. Nascimento destaca que, apesar de não sermos autossuficientes, vendemos animais de qualidade, mas teme que a concorrência desleal prejudique os produtores locais.

As preocupações sobre a qualidade da carne importada são comuns entre os agricultores. Afonso Nascimento questiona: “Como vamos controlar a qualidade da carne que vem do Mercosul?” Ele aponta que as instituições responsáveis pela fiscalização já enfrentam dificuldades devido à falta de recursos humanos.

Pedro Pimenta acredita que o acordo poderá resultar em um controle mais rigoroso da qualidade. “Existem cláusulas de reciprocidade que podem proteger os consumidores”, diz. Além disso, se os preços caírem abaixo de certos valores, a importação poderá ser limitada.

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Outros setores também expressam preocupações. Manuel Gonçalves, apicultor, vê o acordo como prejudicial, pois prevê a entrada de 45 mil toneladas de mel do Mercosul sem taxas alfandegárias. “Isto representa 10% do consumo anual de mel na Europa e poderá aumentar a importação de mel de qualidade inferior”, afirma Gonçalves.

Os produtores de arroz também estão preocupados. Carlos Parreira do Amaral, orizicultor, destaca que a UE já importa 61% do que consome e teme que o aumento das importações do Mercosul leve a uma diminuição da qualidade.

Por outro lado, nem todos os setores têm uma visão negativa. No setor do vinho, há otimismo com a redução de tarifas que o acordo poderá trazer. Raquel Seabra, da Sogrape, acredita que isso abrirá novas oportunidades no Brasil. O mesmo se aplica ao azeite, onde Francisco Ataíde Pavão vê o acordo como uma chance de fortalecer a presença portuguesa no mercado brasileiro.

As frutas e o tomate preparado também poderão beneficiar-se com reduções aduaneiras. Contudo, a necessidade de um plano concreto de promoção dos produtos portugueses no Mercosul é evidente para maximizar as oportunidades que o acordo oferece.

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Fonte: Sapo

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