Pressão nas cadeias de abastecimento afeta 72% das multinacionais

Num cenário de incerteza económica global, as cadeias de abastecimento estão a causar sérios desafios para as multinacionais. De acordo com o mais recente Relatório Global de Riscos da Coface, 72% das grandes empresas enfrentam dificuldades que comprometem os seus objetivos de negócio. Este estudo analisa as prioridades e estratégias de 200 multinacionais de diversos setores e regiões.

A pesquisa revela que o cumprimento das metas empresariais está a ser cada vez mais afetado por fatores interligados. Problemas nas cadeias de abastecimento, dificuldades de acesso ao capital e atrasos nos pagamentos surgem frequentemente em simultâneo, criando um efeito multiplicador que prejudica a operação e o crescimento das empresas. Entre as multinacionais que relatam interrupções logísticas, 79% enfrentam obstáculos no acesso ao financiamento e 75% sofrem com atrasos nos recebimentos.

Os dados mostram que as empresas menos expostas a falhas nas cadeias de abastecimento apresentam números significativamente inferiores, com apenas 45% a reportar dificuldades de financiamento e 48% a enfrentar atrasos nos pagamentos. Os autores do relatório concluem que, quando a operação está sob pressão, a complexidade do financiamento e dos recebimentos aumenta.

O impacto dos atrasos nos pagamentos vai além da tesouraria. A Coface indica que 63% dos executivos notam alterações no fluxo de caixa devido a este problema. Além disso, 55% dedicam tempo e recursos significativos à recuperação de créditos em atraso, enquanto 53% já tiveram de adiar obrigações junto de fornecedores. Quase metade das empresas (49%) é forçada a reduzir investimentos, 48% enfrentam custos financeiros mais elevados e 42% recorrem a empréstimos para contornar os atrasos.

Os setores de transportes e infraestruturas são particularmente vulneráveis, com 55% das empresas nesta área a sofrerem com os atrasos, um valor que sobe para 56% na América do Norte. O relatório destaca a necessidade de reforçar mecanismos de prevenção e resposta, através de serviços integrados de gestão do risco comercial, como seguros de crédito e cobrança de dívidas, para proteger a liquidez e facilitar decisões mais seguras.

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Num ambiente global incerto, as multinacionais estão a reajustar as suas prioridades, com um foco crescente em rigor financeiro e disciplina na gestão do crédito. Entre os objetivos estratégicos mencionados, destacam-se a redução de custos e aumento da eficiência (40%), disciplina na gestão do crédito (34%) e mitigação do risco de incumprimento por clientes (28%).

As diferenças regionais são notáveis. Na América do Norte, 48% das empresas priorizam a disciplina na gestão do crédito, enquanto na região EMEA (Europa, Médio Oriente e África), as prioridades são mais equilibradas. Na Ásia-Pacífico, apenas 31% destacam a gestão do crédito, com a expansão internacional a surgir em segundo plano.

O estudo conclui que a resiliência empresarial dependerá cada vez mais do reforço da disciplina financeira e da gestão rigorosa do risco comercial. Num contexto de incerteza, a prevenção e a gestão eficaz das cadeias de abastecimento são cruciais para garantir a continuidade e a sustentabilidade das operações.

Leia também: Como as empresas podem otimizar a gestão do risco comercial.

cadeias de abastecimento Nota: análise relacionada com cadeias de abastecimento.

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Fonte: Sapo

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