O mundo atravessa um período de crescente tensão política e económica, marcado pelo regresso de práticas populistas e protecionistas. A chamada “geoeconomia” emerge como um conceito central, onde a economia se torna uma extensão da política, transformando-se numa arma ao serviço da hegemonia. Este fenómeno desafia a ideia tradicional de que o comércio aproxima as nações e previne conflitos, revelando-se, na verdade, um fator de divisão e supremacia.
Nos últimos anos, assistimos a um aumento da retórica nacionalista e a uma crescente desconfiança entre países. A política hegemónica, caracterizada por uma masculinidade tóxica, orienta as decisões em direcção à competição e à pureza étnica. Este clima de medo e desconfiança não só afeta as relações internacionais, mas também a dinâmica interna de várias nações. O ódio, que sempre foi uma constante na política, torna-se agora uma ferramenta poderosa para unir comunidades em torno de um inimigo comum.
A nova geoeconomia traz consigo uma realidade transacional que prioriza o unilateralismo e a definição de esferas de influência. A economia, longe de ser um simples motor de desenvolvimento, transforma-se numa arena de confronto, onde os interesses económicos imediatos ditam a ordem mundial. O comércio, que antes era visto como um meio de pacificação, agora é utilizado como um instrumento de pressão, com tarifas aduaneiras a servirem como armas de destruição económica.
A Europa e o resto do mundo estão a viver tempos de incerteza, onde a política parece estar a ser dominada por líderes autocráticos que desafiam os princípios democráticos. O medo, que permeia o discurso político, é utilizado como uma estratégia para consolidar poder e justificar ações agressivas. A violência, que antes era apenas simbólica, começa a assumir uma nova forma, prometendo um futuro marcado por tensões físicas.
Neste contexto, é crucial repensar o papel da economia e da política. A interligação entre os dois domínios não pode ser ignorada, pois a subordinação da política à economia resulta numa guerra económica contínua. A desordem mundial, alimentada pela supremacia do mais forte, é uma realidade que não pode ser subestimada. A nova geoeconomia não é apenas uma mudança de paradigma, mas uma afirmação ruidosa de valores incompatíveis que ameaçam a harmonia global.
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geoeconomia geoeconomia Nota: análise relacionada com geoeconomia.
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Fonte: ECO





