A bolsa de Nova Iorque registou esta terça-feira uma das suas piores sessões desde abril, encerrando em terreno negativo. A queda foi impulsionada pelas ameaças de Donald Trump de impor tarifas aduaneiras a todos os países que se opõem à anexação da Gronelândia pelos Estados Unidos. Após o feriado em homenagem a Martin Luther King, Wall Street voltou a negociar com uma forte pressão vendedora.
Os principais índices de Wall Street sentiram o impacto da tensão geopolítica. O S&P 500 desvalorizou 2,06%, fechando em 6,796.8 pontos, o que representa o pior desempenho desde outubro. O Dow Jones caiu 1,76%, para 48,488.59 pontos, enquanto o Nasdaq viu uma desvalorização de 2,39%, encerrando em 22,954.32 pontos. O Russell 2000 também não escapou, descendo 1,19%, para 2,670.86 pontos.
Um dos indicadores a destacar foi o índice de volatilidade CBOE, que atingiu máximos de dois meses, superando os 20 pontos. Jim Reid, analista do Deutsche Bank, comentou que as implicações das ameaças de tarifas relacionadas com a Gronelândia ainda não tinham sido totalmente refletidas nos mercados financeiros. “Os mercados reagiram, mas há espaço para movimentos maiores se a retórica se intensificar”, afirmou.
Os Estados Unidos têm demonstrado um interesse crescente em controlar a Gronelândia, e a resistência da União Europeia ao plano de anexação levou a Casa Branca a ameaçar países como Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Reino Unido, Países Baixos e Finlândia com novas taxas alfandegárias até que um acordo sobre a venda da ilha seja alcançado.
Trump pretende aplicar uma taxa adicional de 10% no próximo mês, que poderá aumentar até 25% em junho, caso não se chegue a um entendimento. Em resposta, a Europa está a preparar contramedidas, ponderando impor taxas que podem atingir 93 mil milhões de euros em importações de bens norte-americanos.
Os analistas da XTB alertam que a disputa pela Gronelândia não se resume ao impacto direto sobre o comércio, mas também estabelece um precedente político preocupante: o uso de sanções económicas para forçar concessões territoriais. Este cenário introduz um prémio adicional de risco geopolítico, reabrindo um contexto de fragmentação que se pensava resolvido após os acordos de 2025.
Enquanto isso, no mercado de matérias-primas, as ameaças de Trump também afetaram o preço do petróleo. O barril de Brent subiu 1,53%, atingindo 64,92 dólares, enquanto o WTI, produzido no Texas, valorizou 1,51%, fechando a 60,34 dólares por barril. No mercado cambial, o euro valorizou 0,64% em relação ao dólar, situando-se em 1,172 dólares, e a libra esterlina subiu 0,14%, para 1,3434 dólares.
Com a atenção dos investidores voltada para o Fórum Económico Mundial em Davos, onde Trump fará um discurso, as empresas que divulgaram resultados financeiros também se destacaram. A 3M, fabricante dos conhecidos blocos de notas Post-it, viu as suas ações caírem 7% para 156,12 dólares, após apresentar previsões de lucro anual abaixo das expectativas dos analistas. A Netflix e a United Airlines também revelaram os seus resultados após o fecho de Wall Street.
Leia também: O impacto das tarifas comerciais na economia global.
Gronelândia Nota: análise relacionada com Gronelândia.
Leia também: Quedas nas ações da Cars.com e Chewy após anúncio de tarifas
Fonte: ECO





